Jogos de Armar propõe ações interativas ao público no Museu Felícia Leirner

Intervenção multimídia do Coletivo Tralha ocupa espaço em Campos do Jordão com cinco atividades diferentes entre abril e maio

O Coletivo Tralha leva ao Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, instituições da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo administradas em parceria com a ACAM Portinari, em Campos do Jordão (SP), de 17 de abril a 15 de maio, a intervenção multimídia “Jogos de Armar”. O projeto interativo e itinerante que incentiva uma percepção imaginativa da cidade, estabelecendo relações entre palavras, imagens, lugar e público, desenvolve linguagens artísticas diversas, sustentáveis e participativas.

Propõe-se com o “Jogos de Armar” uma reflexão sobre o local e as relações que este engendra. A estrutura das obras é aberta para negociações entre ela, espaço, artista e participante em espécies de “jogos”. Ao todo, o projeto passará por três localidades diferentes no Estado, até o final do primeiro semestre. Além de Campos do Jordão, será exibido em São Francisco Xavier e São Paulo.

A intervenção explora diferentes espaços, daí a escolha, em Campos, pelo Museu Felícia Leirner, espaço que congrega arte pública, contato com a natureza e um dos principais auditórios do Estado de São Paulo. A ocupação tem como mote principal a instalação das propostas em locais internos e externos, criando interação constante entre arte e público.

“O fato do Museu incentivar o contato entre a arte, paisagem e cidade, nos estimulou a sugerir ‘Jogos de Armar’ no local. Esse espaço de troca e interação une-se às nossas propostas que buscam esta relação entre o ser humano e o espaço em que está. Como se o trabalho se colocasse como uma ‘nova camada’ no ambiente”, explica o artista e integrante do coletivo, Anderson Rei.

Serão realizadas quatro atividades: VOLANTES, ENCAIXES, #COLAGEM, INVÓLUCROS e CAÇA PALAVRAS. A interação contará com a mediação direta dos artistas nos dias da abertura e encerramento (17 de abril e 15 de maio).

Os VOLANTES são disparadores de situações na forma de panfletos com jogos de palavras – como a lacuna, a múltipla escolha e os caça palavras. Brincadeiras populares de conhecimento geral, formatadas para uma construção reflexiva sobre o local. Eles são disponibilizados, preenchidos e centralizados em uma caixa urna, na qual, depois, os artistas realizarão uma seleção que será utilizada no local da próxima intervenção.

ENCAIXES é realizado com caixas em papelão contendo letras e imagens, com as quais o público poderá escrever palavras, compor com cores e formas e reorganizar o espaço. Assim, a ação estabelece um formato de intervenção ambiental, com articulação entre texto, imagem e construção tridimensional. Uma proposta renovável já apresentada em locais diversos pelo Coletivo Tralha. ENCAIXES é especialmente querido pelas crianças, que montam, desmontam, empilham e derrubam as caixas, mas não se restringe somente a uma faixa etária.

INVÓLUCROS aborda a impressão em embalagens plásticas reutilizadas. Os próprios participantes podem trazer suas embalagens que serão limpas e descaracterizadas de sua função original com a colocação de novos rótulos com fontes e imagens das séries gráficas do coletivo. O público e os artistas construirão juntos esta intervenção, seja colando e personalizando embalagens, seja criando arranjos, textos e padronagens. Uma reutilização criativa das embalagens, que outrora estariam descartadas no lixo, uma renovação de recursos, em uma proposição artística de envolvimento com o local.

Já o site #COLAGEM é um jogo web colaborativo, no qual os participantes são convidados a completar fragmentos de textos, criando mensagens. Após escrever, ele compartilha as mensagens através das mídias sociais chamando novos usuários para participar e completar a #COLAGEM em andamento. Uma nova plataforma de interação, chamada Mídia Móvel percorrerá o local, coletando as contribuições dos participantes e exibindo-as de forma contínua em telas dispostas por sua superfície.

Por último, um painel em grande formato, com letras e imagens impressas realizado em lambe-lambe, registrará as mensagens produzidas pelo público na cidade: o CAÇA PALAVRAS. O painel será produzido de forma gradual ao longo das semanas de exposição; assim, as mensagens poderão se justapor e sobrepor, além de manter lacunas vazias a serem preenchidas pela imaginação do público.

Segundo o também integrante do Tralha, Matheus Giavarotti, o projeto “Jogos de Armar” condensa ações que elevam ao último o propósito do coletivo: pensar e agir sobre o local em que estamos. “Procuramos permitir que o espaço ao nosso redor ressoe através de letras, formas, imagens.Tudo através de jogos que buscam uma pausa criativa no cotidiano”, completou.

Coletivo Tralha – Em 2009, a partir de experiências na produção de instalações, vídeos, colagens em espaços públicos, oficinas artístico-educativas e trabalhos de arte interativos, os artistas Anderson Rei e Matheus Giavarotti fundaram o Coletivo Tralha. O grupo realiza propostas com elementos de interação entre obra e público que reconfiguram o espaço ocupado com intervenções artísticas, dinâmicas e dispositivos lúdicos. A palavra “tralha” pode ser usada tanto para nomear um conjunto de coisas fora de ordem, quanto é o nome dado a uma rede pequena de pesca; a reunião destes significados traz um pouco do que o Coletivo Tralha faz: recolher os sujeitos e fios para costurar relações entre as pessoas e a cidade.

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Serviço
Jogos de Armar
Período: de 17 de abril a 15 de maio – de terça a domingo, das 9h às 18h
Local: Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro (Av. Dr. Luís Arrobas Martins, 1880 – Campos do Jordão – SP)
Intervenção com mediação dos artistas: dias 17 de abril e 15 de maio, das 14h às 17h
Entrada: gratuita

This post will expire on Sunday May 15th, 2016 – 6:26pm.

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Fundador do Guiacampos.com, apaixonado por Campos do Jordão.

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