Crônica: Outono em Campos do Jordão

Estação do ano que antecede o inverno.

É nessa época que a vegetação caduca, isto é, aquela que perde as folhas anualmente, fica totalmente desprovida de folhas e com a galharada sem nenhuma proteção ou adorno.

A tradição prevê que, nessa época, não só as folhas caem, mas também toda espécie de vida se vê ameaçada. Ao contrário da vegetação que perde as folhas no outono para ressurgir bela e majestosa na próxima primavera, como se estivesse renascendo ou acordando de um longo sono, outras espécies de vida, humana ou animal, que venham a tombar nessa época, jamais irão ressurgir desse longo sono que, infelizmente, tem característica eterna e, assim sendo, estarão extintas. Permanecerão somente nas boas lembranças daqueles que a elas, de alguma forma, estiveram intimamente ligados, em alguma oportunidade, por menor que seja.

Deixando de lado características nada agradáveis do outono, sem dúvida, é necessário descrevê-lo como uma estação do ano de característica visivelmente marcante e maravilhosa em nossa região, especialmente em Campos do Jordão, onde o fenômeno da queda das folhas é cíclico e antecede o inverno.

Outono em Campos do Jordão
Outono em Campos do Jordão

No outono e até no início do inverno, muitas espécies de nossa vegetação, quer nativas, quer especialmente aquelas que foram importadas e aqui introduzidas com o intuito do embelezamento de nossas paisagens, como o “platanus”, o “liquidâmbar”, o “liriodendrum”, o “acer”, o “taquisodium disticum” ou pinheiro do brejo, o carvalho, as castanheiras, as pereiras, as ameixeiras, as cerejeiras do Japão e muitas outras, se preparam e se transformam para a queda magistral de suas folhas.

A coloração das folhas adquire matizes indescritíveis, com todos os tons possíveis e imaginários, desde os verdes tradicionais, do vermelho, do marrom, do laranja, do amarelo e de muitos outros. Espécies como o “liquidâmbar” , “liriodendrum” e as várias espécies de “acer” podem apresentar mais de quatro dezenas de colorações diferentes, já catalogadas em nosso Horto Florestal, pelo querido engenheiro agrônomo Dr. Rubens Álvaro Bueno, que dedicou grande parte de sua vida em benefício da nossa flora e, em conseqüência, da nossa fauna, quando dirigiu os destinos do nosso magnífico e maravilhoso Horto Florestal de Campos do Jordão, reconhecidamente um dos mais belos de todo o nosso Estado de São Paulo.

A paisagem jordanense, durante quase todo o outono, adquire, na realidade, e sem nenhuma preocupação de imitação, uma beleza semelhante à magistral beleza de muitos países europeus.

Em cada caminhada, a cada passo, um novo quadro é desvendado aos nossos olhos, magistral e divinamente elaborado pelo Grande Arquiteto do Universo, o nosso Deus e Pai de toda a criação do Universo.

É de tirar o fôlego o magnífico contraste mostrado, entre os diversos tons de verde, amarelo e vermelho, das folhas do outono, com o céu de impecável azul anil, praticamente isolado das nuvens brancas, que até pouco tempo atrás se faziam presentes, adornando-o com seu véu nupcial, branco e imaculado.

É maravilhoso fazer caminhadas matinais ou vespertinas ao longo das calçadas de nossas principais avenidas, com seus “platanus” e “liquidâmbares”, com as folhas postadas a seus pés, formando um longo, extenso e magnífico tapete de cores diversas; quando pisamos nessas folhas, já secas, retorcidas e crocantes, que produzem um ruído seco e característico, semelhante ao da palha de milho, nas mesmas condições.

Há até pouco tempo, era comum jordanenses e turistas se manifestarem contrariamente à varrição diária das calçadas e avenidas, por parte do serviço específico, a cargo da Prefeitura Municipal, justificando que essa providência os privava de um grande prazer, tirando-lhes a oportunidade de pisar nas folhas secas e ouvir o seu ruído seco e característico.

Hoje, procurando evitar a sujeira que realmente fazem, ao longo das calçadas e avenidas, a varrição é feita com bastante regularidade, em prejuízo do prazer que as folhas secas proporcionam aos caminhantes em geral.

Edmundo Ferreira da Rocha
17/12/1999

Leia essa e outras crônicas em Campos do Jordão Cultura.

DEIXE SEU COMENTÁRIO!

COMMENTS

Leave a Comment