Em Campos do Jordão, a chegada da primavera traz um espetáculo que vai além da beleza natural: é tempo da Festa da Cerejeira em Flor, um evento que une tradição, emoção e respeito às raízes culturais. Celebrada anualmente, a festa transforma a cidade em um cenário delicado e simbólico, onde o rosa das flores se mistura ao verde da montanha e ao calor da hospitalidade jordanense.
Foto principal: camposdojordaocultura.com.br
Tradição que floresce há décadas em Campos do Jordão
A festa foi oficializada em 1968 por meio de um projeto do então vereador Fausto Camargo, sancionado pelo prefeito em exercício Arakaki Masakazu. A primeira edição ocorreu no ano seguinte, em 28 de setembro de 1969, na Chácara Cogumelândia, de Mário Utiyama — descendente de japoneses e profundo admirador da cultura do seu povo. Desde então, a festa passou a ser realizada todos os anos, no início da primavera, tornando-se uma tradição viva.
Um símbolo de renovação e beleza
Para o povo japonês, a flor da cerejeira, ou sakura, representa a beleza efêmera da vida, o renascimento espiritual e a esperança que ressurge a cada primavera.
“A cerejeira é a alma do povo japonês, e sua flor, o sol da manhã”. disse o cônsul Fumio Hirano
A importância cultural do evento foi reconhecida oficialmente em 1980, quando a festa foi incluída no Calendário Turístico do Estado de São Paulo, consolidando Campos do Jordão como um dos principais destinos da cultura nipo-brasileira no interior paulista.
O poder de uma árvore

Entre as histórias que cercam a Festa da Cerejeira em Flor, uma cena ficou marcada na memória da cidade e resume toda a carga emocional do evento. Um imigrante japonês, ao se deparar com uma cerejeira em plena floração, ajoelhou-se diante da árvore e chorou. Não era apenas uma árvore florida: era um elo com a sua terra natal, com os antepassados, com memórias da infância e com o valor do recomeço. O gesto comovente comoveu os presentes e tornou-se um símbolo silencioso, porém profundo, da ligação afetiva entre tradição e identidade.
A paisagem também conta a história
Boa parte das cerejeiras de Campos do Jordão tem origem em ações simbólicas. O próprio governo japonês enviou 500 mudas para o Palácio Boa Vista, residência de inverno do governador de São Paulo. Outras tantas foram plantadas ao longo da Avenida Adhemar de Barros, na Praça da Bandeira, e em diversos pontos da cidade, moldando o cenário que hoje encanta os visitantes.
Essas árvores não são apenas ornamentais — são marcos vivos de uma história de amizade entre os povos e de acolhimento da cultura oriental no coração da Serra da Mantiqueira.


Cultura, gastronomia e encantamento
Além do espetáculo natural das flores, a Festa da Cerejeira em Flor oferece uma rica programação com danças típicas japonesas, apresentações culturais, oficinas de arte e uma deliciosa gastronomia oriental, com pratos tradicionais preparados pelas associações nipo-brasileiras da região.

É um evento para todas as idades e origens — um verdadeiro convite à contemplação, à descoberta de novas culturas e ao encontro com o que há de mais puro: a beleza simples e tocante de uma flor que desabrocha.

Com informações:
Livro “A História de Campos do Jordão” – Pedro Paulo Filho e
do site www.camposdojordaocultura.com.br de
Edmundo Ferreira da Rocha
