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Dica de Leitura por Carlos Abreu - Diálogo de gigantes

 

 

 

 

16/07/2012 - Um deles era famoso e há anos seus filmes faziam sucesso com o público. O outro era um jovem crítico e cineasta à frente de um movimento que renovava o cinema francês. De um lado estava Alfred Hitchcock; do outro, François Truffaut. Um dia eles se encontraram para uma longa série de entrevistas. E assim teve origem um dos mais fascinantes livros sobre cinema já publicados até hoje. A iniciativa foi de Truffaut, que via Hitchcock como um grande diretor e não se conformava com o fato da obra do mestre do suspense não ser reconhecida pelos críticos americanos da época. Nessa conversa, que nos envolve desde a primeira página, vamos conhecendo a vida e cada um dos filmes de Hitchcock. Descobrimos que quando ele tinha cinco ou seis anos de idade, seu pai pediu que ele levasse um bilhete para a delegacia do bairro. Quando ele chegou lá, o delegado leu o bilhete e prendeu o menino em uma cela. Dez minutos depois ele foi solto e ouviu do delegado: “é isso que fazemos aqui com os maus meninos”. Hitchcock relata que jamais se esqueceu do medo que sentiu. Ficamos sabendo também como o diretor foi construindo seu estilo e as soluções geniais que ele adotava para obter o efeito desejado junto ao espectador, privilegiando sempre a imagem. Hitchcock acreditava que o mais importante era contar uma boa história e no cinema, quem devia fazer isso, era a imagem e não o texto. Provocador, ele dizia que os diálogos deviam ser apenas um ruído como outro qualquer. Foram décadas de trabalho que geraram obras primas como “Janela indiscreta”, “Um corpo que cai”, “Psicose” e “Os pássaros”. O diretor fala também sobre os bastidores das produções e conta inúmeras curiosidades sobre as filmagens e os atores. O livro “Hitchcock / Truffaut: Entrevistas” foi editado pela Companhia das Letras e também pode ser encontrado na Biblioteca Municipal de Campos do Jordão, onde está em cartaz até o final de julho uma exposição sobre o mestre do suspense.

 

 

 


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