Eleições em Campos do Jordão
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Pedro Paulo Filho - Escritor, historiador e advogado jordanense |
22/08/2012
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Contou-me o saudoso Waldemar Ferreira da Rocha um pouco das eleições jordanenses de antigamente.
Por volta de 1925 havia duas facções políticas do P. R. P. – Partido Republicano Paulista – uma chefiada por Plínio Barbosa Lima, Thadeu Rangel Pestana e Simão Cirineu Saraiva; a outra dirigida por Robert John Reid, Miguel Covello Jr. e Januário Pardomeu.
Eram elas divergentes e antagônicas, no que tange à execução de uma politica administrativa municipal.
E irreconciliáveis, sobretudo.
A temperatura, durante as eleições, chegava a níveis altíssimos e esbarrava no desforço físico.
As eleições, antigamente, se realizavam na Carpintaria dos Irmãos Fonseca, que se situava no centro de Vila Abernéssia, onde presentemente se acha o Fórum.
Havia uma mesa que recebia os eleitores e distribuía as cédulas, e os cabos eleitorais ficavam na porta, com o trabuco na cinta, uns pedindo votos, outros intimidando os eleitores de males futuros, caso não fosse eleito o seu candidato.
O delegado de polícia era o Joaquim Ferreira da Rocha, e o único soldado sob suas ordens era o Neco Jansen, que tomava conta da cadeia pública, um prédio que se situava onde, presentemente, se acha a Caixa Econômica Estadual, transformada em Banco do Brasil.
Bem, a cadeia já ficava junto ao local da votação...
Numa das mais quentes eleições municipais, um dos cabos eleitorais, dizem que foi Rogério Feliciano Godoy. Era um homem de quase dois metros de altura e capataz do Reid, que fez um disparo de arma de fogo no interior da carpintaria.
Foi um Deus nos acuda!
Gritos, correrias, socos, sopapos, vidros quebrados, mesas viradas, pisoteamento, urna voando pelos ares, eleitores saltando pela janela afora, enfim um espetáculo de eleição de povoado daqueles anos.
A facção politica de Reid e de Covello, em face da grave perturbação e da proximidade física da Polícia, correu para a cadeia pública, para ali se esconder.
Sem embargo, os opositores, percebendo a fuga, correram para o prédio da cadeia com a intenção de retirar seus adversários, à força.
Só o soldado Neco Jansen se achava de guarda. Neco disse:
– Olhem aqui, o fuzil só tem uma bala, uma bala só, o primeiro que entrar, cai. O resto vai na faca.
Thadeu Rangel Pestana, em face do conflito criado, mandou chamara Joaquim Ferreira da Rocha em sua casa, e ele veio, portando um enorme cacete de guatambu, a sua arma predileta.
Quando o delegado chegou à cadeia, a porta estava congestionada de homens, portando enxadas, pás e enxadões.
Joaquim não teve duvidas, passou a mão no volumoso pedaço de pau que trazia e começou a bater, gritou com grande autoridade:
– Daqui para dentro, ninguém entra. Ou vocês ou nós morremos! – apontando para seu único companheiro, o soldado Jansen.
– Mas que é isso, seu Rocha?
– Não tem Rocha, nem nada! Voltem para suas casas, comportem-se como homens civilizados, caso contrario, prenderei todos, sem distinção!
Um pessoal mais exaltado queria matar o dr. Robert John Reid. Sua mulher Emília, destemida cabocla, puxou o carabinote e gritou:
– Vem! Podem vir! Qual é o homem aí? O primeiro que se aproximar, meto fogo!
Todo mundo esfriou a moleira e ninguém se aproximou. Emilia Reid era uma mulher despachada e valente, e salvou o marido das graves ameaças de morte nascidas no tormentoso motim da eleições de Vila Abernéssia
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