Aventoriba – Desbravando a Mantiqueira!

Amanhece o sábado em Campos do Jordão. A temperatura de um dígito nem se mexe com o despertar do sol. Mas à medida que os raios do Astro-rei penetram entre as Araucárias que emolduram o hotel Toriba, o frio torna-se mais agradável. O café já está servido quando gradativamente chegam os aventureiros. Entre eles, este jornalista que vos escreve. A beleza radiante do jardim no início de mais um dia é um convite irresistível a ficar alí mesmo e degustar os pães, bolos, sucos e frutas ao ar livre.

Assim é a recepção aos participantes do Aventoriba, um programa que desbrava a Mantiqueira em trilhas com cenários paradisíacos. Impossível não se render a tanto encantamento! A paisagem do hotel Toriba, idealizador do projeto, é apenas um aperitivo do que ainda está por vir. Após as energias serem recarregadas com as delícias do buffet matutino, hora de partir para mais uma aventura!

O maciço rochoso

A van leva os participantes até o Parque Estadual da Pedra do Baú, na vizinha São Bento do Sapucaí. O caminho é sinuoso, mas asfaltado até o Bauzinho, nome dado à pedra menor do complexo, que é nosso ponto de partida. Antes, porém, a parada na rampa de voo livre é obrigatória. Dalí temos uma visão ampla do monumento natural que vamos desbravar. Impossível não registrar tamanha beleza em fotografias.

Júnior Warne, guia de montanha com 10 anos de experiência, e Gabriela Pelegrino, são os responsáveis por conduzir o grupo mata adentro. A dupla leva nas costas kits de primeiros socorros, água e barrinhas de cereais. No percurso estavam previstas três trilhas com duração total de 3h30 min. O tempo pode até assustar um pouco, mas o caminho é muito tranquilo. O próprio Júnior Warne alivia qualquer preocupação com a fadiga logo no briefing do trajeto.

O primeiro desafio é a Ana Chata, como é chamada a pedra arredondada localizada atrás do monólito gigantesco. Para chegar até ela é preciso “enfrentar” uma das mais belas trilhas que já tive a oportunidade de conhecer. É como estar em um santuário ecológico, onde exemplares remanescentes da mata Atlântica estão protegidos e preservados. Caminhamos entre Araucárias, Manacás, Pinhos Bravos entre outras espécies nativas rumo à face sul da montanha. São aproximadamente 50 minutos de descida até o pé da formação rochosa. Neste ponto começa o trecho íngreme. Há uma pequena caverna com cerca de 15 metros de comprimento que é passagem obrigatória para chegar ao cume. A escuridão é total, mas não há o que temer. Além de nossos guias iluminarem o interior dela, existem cabos de aço chumbados na pedra que servem de corrimão.

Parada dos medrosos, só que não!

Dois minutos são suficientes para, do outro lado da caverna, novamente encontrar a luz do sol. Apesar de anestesiados com a paisagem é preciso continuar. E neste ponto da expedição somos literalmente obrigados a escalar. Diante de nossos olhos, pedras verticais chamam a atenção. Mas calma! Uma escada com grampos presos na rocha facilitam, e muito, a subida. Não dá nem pra suar a camisa! Uma hora depois do início da trilha já estamos no alto da pedra Ana Chata.

Difícil descrever tamanha emoção. A 1.720 m acima do nível do mar, o vento sopra calmamente enquanto os olhos dão um giro de 360 graus nas montanhas verdejantes a nossa volta. Além dos inúmeros vales, na Ana Chata temos uma vista magnífica da Pedra do Baú. É hora de encher a memória do celular e das máquinas fotográficas com imagens indescritíveis. É também o momento ideal para descansar contemplando a perfeição e a grandiosidade da natureza.

Rumo à face norte

20 minutos depois de sermos brindados com um cenário inigualável, iniciamos a descida da pedra Ana Chata. Afinal, era apenas a metade do passeio. Já descansados e conhecedores do caminho, não tivemos surpresas e nem dificuldades para retornar. Assim como a subida, a volta foi igualmente tranquila. Desta vez nosso destino foi a face norte da Pedra do Baú. Se no início apenas descemos, os aclives foram inevitáveis nesta etapa. Encaramos a montanha com o apoio de bastões de alumínio distribuídos pelos guias do Aventoriba a todos os participantes. O equipamento fincado no terreno serve de impulso enquanto as raízes das arvores viram escadas naturais.

Trilha Chico Bento

O trecho mais íngreme pertence à trilha Chico Bento. A inclinação é forte, mas a sombra da floresta que nos protege do sol ajuda a diminuir o desgaste físico. A subida termina na parede rochosa onde dezenas de turistas se preparam para escalar a Pedra do Baú. Assim como na Ana Chata, escadas chumbadas no granito facilitam o desafio. Qualquer pessoa pode chegar ao topo localizado a 1790 metros de altitude. Antigamente nem eram necessários equipamentos de escalada, mas depois que a área se transformou em Parque Estadual, capacete, mosquetão e cordas de rapel passaram a ser obrigatórios. Não, você não precisa comprar nada. Existem várias agências na região que alugam os apetrechos.

Bem que deu vontade de encarar, mas nosso destino era outro e começamos a descer rumo à trilha Joaquim Sertão, que dá acesso a São Bento do Sapucaí. Se a subida foi forte, neste ponto enfrentamos um ladeirão em zigue-zague pela escarpa da montanha. A terra solta no caminho era um convite a beijar o chão. Somente eu escorreguei cinco vezes, mas não comprei nenhum terreno e segui firme, de pé, na caminhada. Tive muita sorte porque estava de tênis, o que não é recomendado. Procure usar botas com travas no solado que evitam os escorregões.

Lá embaixo, um totem com pedras amontoadas quase da minha altura (tenho 1.85m) anuncia que a trilha chegou ao fim. Conforme manda a tradição, nós também deixamos alí uma pequena rocha simbolizando a conclusão do percurso.

Apoteose gastronômica

Depois de 2h57min de caminhada por quase sete quilômetros é preciso repor as energias! Não por acaso, toda expedição do Aventoriba termina com um banquete. Nossa chegada foi no restaurante Pedra do Baú, que oferece no cardápio a autêntica comida caseira, além de cervejas e cachaças artesanais.

Há um ano, o programa Aventoriba proporciona aos turistas a experiência de conhecer a serra da Mantiqueira com uma dose de adrenalina, sempre na medida certa. Ao todo, oito trilhas estão catalogadas. Além do complexo do Baú, as aventuras também são realizadas principalmente dentro do Horto Florestal de Campos do Jordão. E o grau de dificuldade varia de acordo com a disposição e preparo físico dos participantes. As expedições são feitas no ritmo do grupo, sem pressa, com muita segurança e zelo pelo bem estar dos participantes.

Uma recompensa merecida. “Trilhas de fácil acesso, não exigem experiência e a vista é fantástica”, descreveu o consultor Alexandre Vasconcelos, que participou pela primeira vez do Aventoriba. Também novata, a designer de joias, Carolina Vasconcelos, resumiu: “Visual maravilhoso, instrutores ótimos, vale muito a pena e eu faria de novo!”

Serviço:

Jordanenses pagam R$ 120 reais, hóspedes do hotel Toriba, R$ 150 reais e turistas em geral, R$ 220 reais. No valor estão incluídos o transporte desde o Toriba até a trilha, ida e volta, os guias, o suporte durante o percurso e também o almoço.

https://www.toriba.com.br/aventoriba.html 

 

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Jornalista. Um incansável contador de histórias!

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