14 de julho: da Bastilha às montanhas da Mantiqueira pelos caminhos de Jacques Perroy

Quando os franceses celebram o 14 de Julho, não comemoram apenas a tomada de uma antiga fortaleza em Paris. Celebram um dos acontecimentos que mais influenciaram a história do mundo moderno.

Naquele dia de 1789, em meio a uma profunda crise econômica e social, o povo de Paris tomou a Bastilha, prisão que simbolizava o poder absoluto da monarquia. Embora poucos prisioneiros estivessem ali, a queda da fortaleza tornou-se o marco inicial da Revolução Francesa, movimento que difundiu ao mundo os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, transformando para sempre a política, a sociedade e a cultura ocidentais.

Mais de dois séculos depois, a França continua sendo referência mundial em arte, literatura, arquitetura, moda e gastronomia. Sua influência ultrapassou fronteiras e encontrou, curiosamente, um terreno fértil também nas montanhas da Serra da Mantiqueira.

Campos do Jordão guarda, talvez sem que muitos visitantes percebam, uma elegante herança francesa.

Embora a cidade seja frequentemente associada às inspirações portuguesas, italianas, alemãs, japonesas e suíças, foi um francês um dos primeiros a enxergar, ainda no começo do século XX, o enorme potencial turístico da estância. Seu nome era Jacques Perroy.

Nascido em Lyon em 09 de junho de 1910, Jean Jacques Perroy mudou-se para o Brasil em 1940 e, para Campos do Jordão, em 1942. Aqui criou o primeiro hotel de lazer de categoria internacional, o Rancho Alegre (1945), considerado um dos pioneiros da hotelaria jordanense voltado ao turismo de lazer. 

Em uma época em que Campos do Jordão ainda era conhecida principalmente por seus sanatórios, ele apostou na hospitalidade, no conforto e na boa mesa como atrativos capazes de transformar a cidade em destino turístico. 

Sua importância, porém, ultrapassou os limites da hotelaria.

Perroy criou, em 1942, a Agricobraz – Sociedade de Expansão Agrícola do Brasil – na área que hoje conhecemos como Descansópolis. 

Foi um dos precursores do Plano Diretor Municipal, em 1952, ao defender sua criação na Câmara de Vereadores.

Em 1955, quando o então governador Jânio Quadros aventou a possibilidade de transformar o futuro Palácio Boa Vista (em obras desde 1938) em hotel de luxo, Perroy lançou a ideia de que a edificação fosse dedicada à criação de um Centro de Estudos Universitários.

Foi um dos grandes lutadores e responsáveis pela transformação da Cidade de Cura em Cidade do Turismo – e o primeiro a usar o termo “indústria sem chaminé”, em artigo publicado no jornal Diário de São Paulo, em 1965.

Perroy criou o Centro de Planejamento de Campos do Jordão, sendo o responsável pela organização do IV Congresso Nacional de Hotelaria, em 1951, e ocupou o cargo de diretor de Turismo de 1955 a 1961.

Em uma época em que Campos do Jordão ainda era conhecida principalmente por seus sanatórios, ele apostou na hospitalidade, no conforto e na boa mesa como atrativos capazes de transformar a cidade em destino turístico.

Com uma relação muito próxima com as autoridades diplomáticas francesas, Perroy transformou Campos do Jordão em uma espécie de “filial do consulado francês”, recebendo frequentemente autoridades políticas, culturais e empresariais. Todos os anos, no dia 14 de julho, o hotel Rancho Alegre celebrava a amizade franco-brasileira  por meio de eventos culturais e esportivos, almoços e caminhadas ao ar livre realizadas por jordanenses e convidados brasileiros e estrangeiros.

A influência francesa manifesta-se sobretudo na gastronomia. Os fondues, os molhos clássicos, os soufflés, as raclettes e terrines, as tortas e os brioches, as técnicas da confeitaria, os croissants, os chocolates artesanais e a valorização da experiência à mesa dialogam diretamente com a culinária francesa, reinterpretada pelos chefs locais e adaptada ao clima serrano.

Não é exagero afirmar que parte da identidade gastronômica de Campos do Jordão nasceu desse encontro entre a tradição culinária francesa e os ingredientes brasileiros, criando uma cozinha própria, sofisticada e acolhedora.

Assim, quando a França comemora sua principal data nacional, vale lembrar que sua história também deixou marcas discretas, porém profundas, em nossa cidade. 

Entre araucárias, lareiras e mesas bem-postas, um pouco do espírito francês continua presente nas montanhas jordanenses — herança iniciada por Jacques Perroy e enriquecida por gerações de empreendedores que transformaram Campos do Jordão e a Serra da Mantiqueira paulista em uma referência nacional de turismo, hospitalidade e boa gastronomia.

14 de julho: “Vive la France, vive la Mantiqueira!”

 

AMANA – AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO SUSTENTÁVEL DE CAMPOS DO JORDÃO E MANTIQUEIRA

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