Em busca de uma vida mais conectada à natureza, muitas pessoas sonham em morar próximas a áreas verdes, longe do caos das cidades. E, segundo um estudo divulgado pelo Environmental Health Perspectives, essa escolha pode trazer mais do que qualidade de vida: pode desacelerar o declínio cognitivo na velhice. O contato com áreas verdes revela-se um fator protetor importante para a saúde mental, especialmente em regiões com menor nível socioeconômico, onde o benefício é ainda mais evidente.
A Natureza Como Aliada no Combate ao Declínio Cognitivo
O estudo demonstrou que o contato frequente com áreas verdes ajuda a manter o cérebro mais ativo, retardando o declínio cognitivo em pessoas idosas. Os benefícios são amplos: áreas verdes estimulam a prática de atividades físicas e promovem interações sociais, reduzindo o estresse e prevenindo a depressão, fator de risco para a demência.
Como o Estudo Foi Realizado
Para investigar essa relação, pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 17 mil idosas que participaram do Nurses’ Health Study nos EUA. Estas idosas passaram por testes cognitivos entre 1995 e 2001, sendo acompanhadas até 2008. Usando imagens de satélite, os pesquisadores determinaram a proximidade de áreas verdes ao redor das residências dessas participantes, cruzando os dados com fatores como idade, nível socioeconômico e diagnósticos de depressão.
O resultado? Idosas que viviam perto da natureza no início do estudo apresentaram melhor função cognitiva nos primeiros testes e um ritmo mais lento de declínio mental ao longo do tempo.
O Papel do Gene APOE-ɛ4 e os Efeitos na Saúde Cognitiva
O estudo também investigou o impacto das áreas verdes em mulheres com o gene APOE-ɛ4, conhecido por aumentar o risco de Alzheimer. Mesmo entre essas participantes, aquelas que viviam próximas à natureza apresentaram uma taxa mais lenta de declínio cognitivo, revelando que o contato com a natureza pode beneficiar até mesmo aqueles geneticamente predispostos a doenças cognitivas.
Benefícios do Estilo de Vida ao Ar Livre
Além do contato com a natureza, a geriatra Thais Ioshimoto, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca outros benefícios associados ao estilo de vida em áreas verdes, como a exposição à luz solar, que melhora o ciclo circadiano e a qualidade do sono, além da prática de “grounding” (aterramento), que promove o contato direto dos pés com o solo, outra prática que vem sendo estudada por seus benefícios à saúde mental e física.
A Poluição e o Risco de Declínio Cognitivo
Outro ponto relevante é a redução da exposição à poluição, que segundo vários estudos, acelera a deterioração cognitiva, especialmente em ambientes urbanos. A poluição do ar, causada por combustíveis fósseis e pela combustão de madeira, contém materiais tóxicos como o carbono negro, um dos principais inimigos da saúde mental. Nesse sentido, morar perto da natureza também atua como uma barreira contra esses poluentes, favorecendo uma mente mais saudável.
A Importância de Começar a Prevenção Cedo
Apesar dos benefícios de morar perto da natureza, especialistas ressaltam que a prevenção ao declínio cognitivo começa desde cedo. “A prevenção envolve boas práticas de vida ao longo de todas as fases da vida”, diz a geriatra Thais Ioshimoto. Praticar exercícios físicos, adotar uma dieta rica em antioxidantes, não fumar e manter o controle do colesterol e da glicemia são atitudes essenciais para proteger a saúde cognitiva. Além disso, a prevenção da perda auditiva e visual na meia-idade e a redução do isolamento social na terceira idade são práticas fundamentais para uma velhice saudável.


