Hoje, ao ver o Monumento ao Povo Jordanense ser inaugurado, senti algo que palavras quase não conseguem descrever. Ali, no trevo do Santa Cruz, sob o céu azul de Campos do Jordão, está algo que vai muito além de uma obra de arte ou um ponto turístico. Aquele monumento é um espelho — um reflexo de todos nós, jordanenses, e de tudo o que nos trouxe até aqui.
Foto: Lucas Vitorino
Cada figura esculpida na placa de corten conta uma história. O indigena, que nos lembra das raízes profundas que nos conectam à terra; o bandeirante, símbolizando a coragem; o tropeiro, que carregava não só mercadorias, mas a conexão entre os caminhos; o escocês e o japonês, que trazem consigo a riqueza da diversidade cultural; o pedreiro, que ergueu com suas mãos o que hoje chamamos de lar; e a criança violinista, a promessa de um amanhã melhor.
Ao olhar para essas representações, vejo mais que imagens; vejo rostos conhecidos. O agricultor que cruza o amanhecer no bairro, a minha professora que forma gerações, o meu amigo empreendedor que acredita no potencial da nossa terra. Cada um de nós está ali, naquela placa, de uma forma ou de outra.
Durante a cerimônia, a música do Coro Jovem da AMECampos e da Orquestra da Fundação Lia Maria Aguiar embalou nossos corações, enquanto a poesia recitada pela Adriana, presidente da Academia de Letras de Campos do Jordão, trouxe um peso emocional único. Foi um momento para sentir orgulho, para lembrar de onde viemos e para pensar no que ainda podemos construir juntos.
Como disse o Wagner Rosa, um dos idealizadores do projeto Campos do Jordão 150 +15, “esse monumento é apenas o começo do Parque dos 150 anos, ele é um chamado”. E eu concordo. Ele nos chama a refletir, a valorizar nossa história e, mais importante, a continuar escrevendo-a.
Não é apenas um monumento; é um símbolo vivo da nossa identidade. Um tributo à nossa origem, às nossas raízes. Ele pertence a todos, pois todos nós estamos representados nele. O Monumento ao Povo Jordanense nos lembra que, apesar de nossas diferenças, somos parte de uma mesma história. E isso, para mim, é o maior legado que ele pode nos deixar.
Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão


