Produção de queijo minas artesanal ganha reconhecimento mundial

A Unesco declarou, nesta quarta-feira (4/12), o modo de fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O reconhecimento foi oficializado durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, realizada em Assunção, no Paraguai. A conquista marca a primeira vez que uma técnica tradicional brasileira de produção alcança tal prestígio internacional, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Com mais de 300 anos de tradição, o modo de produção do Queijo Minas Artesanal é uma prática transmitida de geração em geração. Sua origem remonta ao período da descoberta do ouro na Capitania das Minas Gerais, consolidando-se como símbolo cultural e econômico da região.

A iguaria é produzida com leite cru, sem pasteurização, e utiliza o pingo, um fermento natural exclusivo do processo. A maturação, que dura de 14 a 22 dias, é outro diferencial, permitindo a conservação durante o transporte pelos antigos tropeiros, que abasteciam mercados dentro e fora do estado.

Além de preservar a memória cultural, o reconhecimento do Queijo Minas Artesanal ressalta sua relevância para a agricultura familiar, inclusão social e harmonia com a natureza. Segundo o Iphan, a produção envolve desde o manejo de gado leiteiro até a comercialização, promovendo o desenvolvimento das comunidades locais.

“O reconhecimento valoriza não apenas o produto, mas, principalmente, os produtores rurais e suas comunidades. Essa conquista deve estimular políticas públicas voltadas para sustentabilidade, acesso a crédito e qualidade de vida no campo”, afirmou Leandro Grass, presidente do Iphan.

A candidatura foi apresentada pelo Iphan em parceria com a Associação Mineira dos Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo) e a Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais. A produção tradicional está associada a regiões como Serro, Serra da Canastra e Campo das Vertentes, cada uma com características únicas de sabor e processo produtivo.

O reconhecimento na lista da Unesco coloca o Queijo Minas Artesanal ao lado de outros importantes patrimônios brasileiros, como o Frevo, a Roda de Capoeira, o Círio de Nazaré e o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão.

A expectativa é que o título da Unesco impulsione a criação de políticas que atendam às necessidades dos pequenos produtores, garantindo água limpa, qualidade do rebanho e um meio ambiente equilibrado. O reconhecimento é visto como um importante passo para fortalecer a economia rural e promover o Brasil no cenário internacional.

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