O ano de 2024 passou e, mais uma vez, podemos constatar a grande capacidade criativa e o empenho dos escritores jordanenses contemporâneos em continuar contando a nossa História.
No ano passado, nada menos do que 10 livros foram publicados com destaque e oferecidos aos leitores, todos eles produzidos com seriedade, dedicação e cuidado por seus autores e, cada um em sua área, de grande relevância para a Cultura local. Vamos a eles:
1 – “Arquitetura e Patrimônio Cultural em Campos do Jordão”, de Agnes Yuri Uehara Bezerra, Gabriela Guilherme Pereira e Maria Madalena Souza Santos, é sem dúvida o grande destaque literário do ano. Elaborado inicialmente como resultado de uma pesquisa de iniciação cientifica realizada no curso técnico de Edificações do campus local do Instituto Federal, o livro apresenta aspectos técnicos e arquitetônicos de três importantes edificações de nossa cidade – Espaço Cultural Dr Alem, Grupo Escolar Domingos Jaguaribe e Museu Casa da Xilogravura. A obra foi vencedora do Prêmio Eugênia Sereno de Literatura pelo Instituto de Estudos Valeparaibanos como Livro do Ano, tendo recebido o prêmio durante solenidade em Lorena, SP.
2 – “Reminiscências”, de Edmundo Ferreira da Rocha. Lançado no dia 19 de dezembro na sede da OAB, em Abernéssia, a obra apresenta mais de duas centenas de crônicas escritas pelo notório historiador, advogado, escritor e fotógrafo, criador e mantenedor do site camposdojordaocultura.com.br e que se dedica a preservar, há muito tempo, a história iconográfica de Campos do Jordão. Neste seu segundo livro (com mais de 500 páginas), o autor revela ainda seu lado “contador de causos”, trazendo à tona mais de duas centenas de histórias comoventes, engraçadas e que revelam muito do que é “ser jordanense”.
3 – “APAE Campos do Jordão – 55 Anos de Amor, Inclusão e Esperança”, de Maurício de Souza Lino, traz um pouco da rica história dessa importante entidade que há mais de meio século se dedica a cuidar, apesar de todas as dificuldades – sobretudo financeiras – dos jordanenses que necessitam de acolhimento, carinho, afeto e auxílio em seu desenvolvimento físico e mental. Fruto de um minucioso trabalho de pesquisa do historiador Maurício, que vem consolidando sua trajetória literária com trabalhos de indiscutível qualidade – venceu o Prêmio Eugênia Sereno do IEV pela obra sobre o Clube Cereja -, o livro é marcado pelo depoimento emocionante de pessoas que passaram pela APAE e continuam levando adiante sua nobre trajetória, inclusive funcionários, colaboradores e pais de alunos.
4 – “Campos… Paz”, de Helena Therezinha. A veterana professora apresenta sua segunda obra poética composta de poemas que abordam as “coisas desimportantes”, como diria o mestre Manoel de Barros: o sol, a chuva, os pequenos bichos do jardim, a beleza da vida simples e as recordações de uma Campos do Jordão que só existe na mente e no coração de quem caminha por esta montanha já há muito tempo. Helena escreve como quem conta uma história, enquanto espera a água ferver para o café quentinho da tarde. A poesia está servida pelas mãos dessa poeta atenta e generosa, que espalha com rara sensibilidade os seus versos pelo mundo.
5 – “Meninas de Campos”, obra de estreia de Eloisa Paranhos, retrata por meio de uma história de ficção, mas baseada em fatos reais, a dura realidade de tantas mulheres jordanenses abusadas tanto física quanto psicologicamente por seus parceiros e a luta em defesa dos direitos da mulher ao longo do tempo em Campos do Jordão. Um assunto de extrema importância para toda a sociedade e que a cidade nem sempre está disposta a discutir.
6 – “Memórias Ítalo-Brasileiras da Busca ao Passado”, de Antonio Fernando Costella, narrativa do consagrado professor e criador do Museu Casa da Xilogravura que retrata sua trajetória em busca de suas raízes familiares originadas na Itália – particularmente no Véneto – e que acaba também por repassar uma parte significativa da imigração italiana no Brasil. Ao contar a trajetória dos Costella e dos Cattai, que emigraram entre o final do século XIX e início do XX em busca de novas oportunidades no Brasil ainda no contexto da I Guerra Mundial, o autor aborda de maneira objetiva o episódio histórico da unificação da Itália que tornaram possível, ao país, a configuração geopolítica como hoje a conhecemos. Uma obra narrada com o estilo inconfundível do autor, claro e muito bem fundamentado (inclusive com fotos de pessoas, edificações históricas e documentos) que vai ao encontro dos interessados no assunto e também dos que gostam de ler uma história bem escrita.
7 – “Transformando Campos do Jordão”, o segundo livro do empresário Lélio Gomes, narra sua trajetória e tem como ponto principal os 40 anos de criação do Boulevard Geneve, edificação icônica que não só deu novo sentido ao turismo local como reforçou a característica arquitetônica da cidade e o conceito de “destino de inverno” de destaque no país.
8 – “40 Anos Fotografando Campos do Jordão”, de Ricardo Castelfranchi, é uma antologia iconográfica que conta um pouco da trajetória de 150 anos da cidade por meio do olhar atento do autor – que, desde sua chegada, dedicou-se com esmero a registrar algumas das principais personalidades locais, fossem elas moradoras ou visitantes. É uma obra histórica importante, que revela – literalmente – o comportamento, os hábitos, tradições e espírito das pessoas que vivem a cidade, mostrando muito da nossa identidade.
9 – “Floresta de Retratos”, do fotógrafo e escritor Marcio Scavone, que também no âmbito da celebração dos 150 anos de fundação de Campos do Jordão registrou, em seu estúdio, imagens de 150 personalidades locais, de diversas origens e segmentos, reproduzindo digitalmente as fotografias em imagens de troncos de árvores e proporcionando não só um “novo olhar” para a cidade, mas também enfatizando a importância da simbiose homem-natureza como forma de valorização da identidade local.
10 – “A Arte de Catar Pinhão”, de minha autoria, é uma coletânea de artigos e crônicas ambientados em Campos do Jordão e publicada pela Coletivo Editorial, de Pindamonhangaba. A obra, atualmente em sua segunda edição, traz textos inéditos e também alguns outros que já foram publicados na mídia local.
É indiscutível, como todos sabemos, a vocação dos jordanenses para o fazer criativo e artístico. No que diz respeito à Literatura, entretanto, as publicações dos últimos anos não só referenda essa máxima como também se apresenta como um importante desafio para que a História e a Cultura locais continuem sendo objeto de estudo e pesquisa por parte dos jordanenses, produzindo novas obras e aumentando o acervo de informações à disposição de todos aqueles que se dedicam e se importam, verdadeiramente, com a preservação da nossa identidade.

Benilson Toniolo
foi Secretário Municipal de Cultura
de Campos do Jordão é escritor premiado
e membro de diversas academias de letras.


