O mundo perdeu nesta quinta-feira (23) uma de suas maiores “vozes visuais”: Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro de renome internacional, faleceu aos 81 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização ambiental fundada por ele e sua esposa, Lélia Wanick Salgado.
Salgado, que enfrentava problemas de saúde decorrentes de uma malária contraída nos anos 1990, seguia ativo, mesmo com limitações. Participava de exposições e seguia envolvido com projetos ambientais e culturais. Sua última grande exposição, dedicada à Amazônia, percorreu diversos países e reforçou seu compromisso com a preservação da natureza.
Da economia à lente do mundo
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944, Sebastião formou-se economista antes de se apaixonar pela fotografia ao trabalhar em projetos de desenvolvimento na África. A partir da década de 1970, trocou os números pelas imagens e encontrou na fotografia uma forma poderosa de documentar o sofrimento humano, o trabalho e a resistência em todas as partes do globo.
Salgado tornou-se um mestre do preto e branco, com uma linguagem visual profundamente humana. Projetos como “Outras Américas”, “Trabalhadores”, “Êxodos” e “Gênesis” são marcos na história da fotografia documental. Suas lentes captaram o drama de refugiados, a dureza do trabalho braçal e a imponência de paisagens intocadas.
Compromisso com o planeta
Em 1998, ao lado de Lélia, fundou o Instituto Terra no Vale do Rio Doce, região afetada pelo desmatamento e degradação ambiental. O projeto já recuperou milhares de hectares de mata atlântica e tornou-se referência mundial em reflorestamento e educação ambiental.
Salgado via a natureza com o mesmo respeito que dedicava aos povos e culturas que fotografava. Seu projeto “Gênesis”, realizado entre 2004 e 2011, foi um tributo à beleza do planeta e um alerta sobre sua fragilidade.
Um olhar que permanece
Sebastião Salgado recebeu prêmios como o Hasselblad, o Oskar Barnack e o Prêmio Jabuti. Foi membro da agência Magnum Photos e seu trabalho foi exibido em museus e galerias de todo o mundo. Sua parceria com Lélia foi decisiva tanto na curadoria de suas imagens quanto no desenho de exposições e livros.
Ele deixa esposa, dois filhos e milhões de admiradores. Mais que um fotógrafo, Salgado foi um cronista visual das dores e belezas do mundo, alguém que usou a câmera como instrumento de empatia, denúncia e esperança.
Com sua morte, o Brasil e o mundo perdem uma voz insubstituível. Mas suas imagens, silenciosas e eloquentes, seguem falando alto.


