Campos do Jordão mudou. Quem vive aqui ou nos visita com frequência percebe isso a cada temporada, a cada novo empreendimento, a cada fim de semana de movimento intenso. Nossa cidade cresceu — e com o crescimento, vêm os desafios e as dores do crescimento.
A falta de vagas para estacionar é um desses desafios. E não é pequeno. Tente parar o carro em Abernéssia durante a semana. Tente, de verdade. Mesmo com paciência, voltas no quarteirão e até aquela fézinha na sorte, nada. Nem mandinga ajuda.
O resultado? Muita gente desiste de fazer o que veio fazer. Desiste de ir ao banco, à farmácia, ao restaurante, à loja. E o comércio local, que já enfrenta a concorrência pesada do online, perde mais uma venda. Não por preço, não por atendimento, mas porque o cliente não encontrou onde estacionar. Isso é surreal.
A Zona Azul possibilita justamente organizar esse caos. Criar rotatividade. Fazer com que mais pessoas consigam usar as vagas disponíveis, mesmo que por um tempo limitado. E sim, pagar por isso — como acontece em toda cidade que cresceu e entendeu que o espaço urbano precisa de regras.
É claro que a Zona Azul precisa ser bem feita. Precisa ter valores justos, tecnologia que funcione, fiscalização responsável e isenção para quem realmente precisa. Moradores, idosos, pessoas com deficiência — tudo isso tem que estar no pacote com respeito. E precisa ser transparente, com regras claras desde o começo.
Mas, no geral, eu sou a favor. E sou porque penso na cidade como um todo. Penso nos comerciantes que perdem clientes, nos trabalhadores que precisam rodar um tempão atrás de uma vaga, nos visitantes que chegam e não conseguem parar o carro nem pra tomar um café.
Zona Azul não é só estacionamento pago. É gestão urbana. É um passo em direção à organização que uma cidade em crescimento precisa dar. E Campos do Jordão já passou da hora de dar esse passo.
Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão


