O teste da orelhinha consiste em um exame rápido e indolor realizado pela fonoaudióloga em recém-nascidos para identificar precocemente possíveis problemas de audição.
Segundo a fonoaudióloga do HM, Carolina Arantes, é um procedimento importante para garantir que qualquer deficiência auditiva seja detectada e tratada o mais cedo possível. “Qualquer problema de audição pode ter um impacto significativo no desenvolvimento da fala, linguagem e no aprendizado da criança”, afirma.
O teste envolve a colocação de um pequeno fone no ouvido do bebê, que emite sons de baixa intensidade e dura em média 10 minutos. O exame é feito enquanto o bebê está dormindo naturalmente ou em estado de relaxamento e não causa desconforto.
São dois exames realizados: as emissões otoacústicas, realizado nos bebês da maternidade, e os potenciais evocados auditivos de tronco encefálico, realizado nos bebês com algum fator de risco para perda de audição.
Quando o teste apresenta resultado fora do normal, é realizado um reteste no ambulatório do hospital. Se no reteste o resultado for confirmado, o profissional realiza um outro exame, mais completo, o BERA diagnóstico, para se chegar ao resultado com mais precisão.
“A intervenção deve ser iniciada precocemente, preferencialmente antes dos seis meses de idade, o que é crucial para o desenvolvimento infantil”, completa Carolina.
Desde 2010, o teste da orelhinha é obrigatório e gratuito em todo o Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde (2012), a cada 1.000 bebês testados, 1 a 6 podem apresentar alguma alteração auditiva. E 1 a 4 bebês a cada 100, que ficaram internados após o nascimento, podem também ter problemas de audição.
As alterações no exame podem ocorrer em bebês com fatores de risco, como filhos de gestantes que tiveram infecções durante a gravidez, bebês prematuros ou que permaneceram mais de cinco dias na UTI neonatal, filhos de mães com complicações no parto, de pais com grau de parentesco (consanguinidade) ou com história de surdez congênita na família, entre outros. Mas a perda de audição no bebê também pode ocorrer sem uma causa definida.
Surpresa com o SUS
Com dois dias de vida, o pequeno José Felipe realizou o teste da orelhinha nesta sexta-feira (8) no Hospital Municipal, sem apresentar qualquer alteração. A mãe, Priscila Alexandre, moradora da região norte de São José dos Campos, ficou feliz em poder realizar o teste do filho ainda na maternidade.
“Fazer tudo aqui dentro do hospital é muito bom, passa mais tranquilidade. Estou surpresa com o SUS”, disse Priscila, ao lembrar que os outros filhos precisaram fazer o exame após a alta, já que nasceram em maternidades particulares que não ofereciam o teste no local.
A fono Carolina Arantes lembra que, diferentemente da maioria das maternidades privadas que não realizam o teste da orelhinha antes da alta das crianças, no Hospital Municipal o bebê já sai com todos os exames feitos, como teste da orelhinha, do pezinho, do coraçãozinho, do quadril, do olhinho e da linguinha, além de receber as primeiras vacinas que previnem doenças.
“Ao ir para a casa, a mãe leva consigo a caderneta do bebê, um documento único no qual devem ficar registradas todas as informações sobre o atendimento à criança nos serviços de saúde, de educação e de assistência social”, conclui a profissional, que integra uma equipe com sete fonoaudiólogas que atuam no Hospital Municipal.


