Dois dos principais polos religiosos do Vale do Paraíba, Aparecida e Guaratinguetá, correm o risco de perder o título de Estância Turística e, consequentemente, deixar de receber os repasses anuais do governo estadual voltados ao fomento do turismo.
A medida pode ser oficializada em breve no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O motivo seria o não atingimento da pontuação mínima exigida no ranqueamento da Secretaria de Turismo em 2024, avaliação que considera a execução do plano municipal de turismo, a prestação de contas e a aplicação dos recursos nos anos anteriores.
Aparecida na lista
O prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues, o Zé Louquinho (PL), confirmou que foi informado sobre o risco há cerca de 15 dias pelo secretário de Turismo e Viagens do Estado, Roberto de Lucena.
“É um absurdo e, se isso acontecer, vou entrar na Justiça. Nossa população vai acabar pagando por falhas de administrações passadas, que deixaram de prestar contas e apresentar documentação exigida para a manutenção do título”, disse o prefeito.
Zé Louquinho afirmou que a suspensão dos recursos comprometeria diretamente os serviços oferecidos à população e aos milhões de fiéis que visitam a cidade todos os anos.
“Aparecida recebe em média 12 milhões de turistas por ano. Temos mais de 70 mil leitos de hospedagem e o maior Santuário do Brasil. Não tem sentido perdermos o título e os recursos”, destacou.
O Santuário Nacional
O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida é considerado o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina e o segundo do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Em 2024, o espaço recebeu 9 milhões de visitantes, um crescimento de 2,4% em relação a 2023. Apenas no dia 12 de outubro, Dia da Padroeira, cerca de 139 mil fiéis participaram das celebrações.
Guaratinguetá também ameaçada
A cerca de 9 quilômetros de Aparecida, Guaratinguetá também pode perder a condição de Estância Turística. O município deixaria de receber entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões anuais destinados ao setor.
A cidade é reconhecida nacionalmente por ser a terra natal de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro. O Santuário de Frei Galvão atrai mais de 700 mil devotos por ano, especialmente em outubro, mês da festa anual do santo.
A prefeitura confirmou o risco, mas informou que só vai se posicionar oficialmente após a eventual publicação da decisão no Diário Oficial.


