A morte de Cláudio Cândido Soares, de 51 anos, após o desmoronamento parcial de uma casa na Vila Britânia em Campos do Jordão, trouxe à tona um dado decisivo confirmado pelo coordenador da Defesa Civil. Segundo ele, o imóvel já apresentava risco desde julho, quando foi feita uma solicitação ao proprietário para apresentar a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e o registro da construção. Os documentos nunca foram entregues, e o coordenador classificou a estrutura como irregular.
A fala divulgada pela própria prefeitura, confirma que havia um alerta prévio sobre a instabilidade da construção, fator que coloca em perspectiva a tragédia ocorrida após dois dias de chuvas intensas que deixaram o solo totalmente encharcado. No entanto, até agora não há informações públicas sobre o que foi feito após essa notificação inicial. Não se sabe se houve novas vistorias, acompanhamento técnico, recomendações adicionais ou medidas de proteção à quem vivia no local. Esse período entre julho e dezembro permanece sem esclarecimento.
Na manhã de quarta-feira (10), parte da casa cedeu, soterrando o morador. A Defesa Civil interditou outras duas residências próximas e afirmou que solicitará a demolição completa do imóvel atingido. O corpo da vítima foi levado ao IML de Taubaté, enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Social oferece apoio às pessoas desalojadas.
O episódio evidencia a vulnerabilidade de áreas de encosta em Campos do Jordão, onde a combinação de solo instável, construções irregulares e chuvas intensas cria um cenário recorrente de risco. A fala do coordenador demonstra que o perigo era conhecido, mas permanece sem detalhes o que ocorreu — ou deixou de ocorrer — desde o primeiro alerta.
A reportagem solicitou esclarecimentos adicionais à Prefeitura sobre as ações tomadas após a notificação feita em julho. Até o momento, não houve resposta.


