Homem opera drone de forma perigosa durante apresentação da Esquadrilha da Fumaça em Campos do Jordão

Operador ignora restrições e coloca em risco aeronaves da FAB durante comemorações de 152 anos da cidade; prática pode resultar em prisão.

Por Claudio Borges

Um voo clandestino de drone gerou alerta de segurança durante a aguardada apresentação da Esquadrilha da Fumaça, realizada no último domingo (19) marcando o retorno da equipe a cidade após 11 anos,em celebração aos 152 anos de Campos do Jordão. Um vídeo divulgado no YouTube nesta segunda-feira (20) revela que um operador utilizou um equipamento DJI Mini 3 para captar imagens do evento, desrespeitando normas da aviação civil e restrições específicas para a data.A informação foi publicada pelo site Aeroin e confirmada pela página Claudio Borges

Nas imagens, com mais de 15 minutos de duração, o operador reconhece diversas vezes que a ação pode ser proibida, porém opta por decolar o equipamento momentos antes das manobras acrobáticas das sete aeronaves A-29 Super Tucano. Relatando ter buscado um local isolado, o homem afirma que seu objetivo era obter imagens “de cima” do espetáculo. Embora o operador tenha declarado que não pretendia se aproximar das aeronaves, o registro mostra o drone em altitude elevada, chegando a superar o nível de voo dos sete A-29 Super Tucano em diversos momentos , o que configura alto risco para a navegação aérea.

Risco de Colisão

O uso de drones em apresentações acrobáticas é perigoso, pois as aeronaves voam em baixa altitude, alta velocidade e com pequena separação. A presença do equipamento pode causar colisões, danos ao motor ou forçar a interrupção da exibição, colocando em risco a vida dos pilotos e do público.

Proibições e Penalidades

Normas brasileiras da ANAC e DECEA proíbem rigorosamente o uso de drones próximos a aeronaves tripuladas e em áreas de demonstração sem autorização prévia.Para o evento em Campos do Jordão, havia restrição expressa contra o uso de drones, pipas e balões na área do evento.

Como a Esquadrilha da Fumaça realiza manobras acrobáticas de alta precisão, em baixa altitude e com curtíssima distância entre os aviões, qualquer objeto estranho no espaço aéreo pode causar colisões catastróficas, danos ao motor ou a quebra do canopy (vidro da cabine). A presença não autorizada de drones é motivo para a interrupção imediata de qualquer demonstração aérea.

A conduta é classificada como gravíssima por especialistas em segurança de voo e pode acarretar sanções administrativas e criminais. De acordo com o artigo 261 do Código Penal, expor aeronaves a perigo ou dificultar a navegação aérea pode resultar em dois a cinco anos de prisão. Além disso, o operador pode ser autuado com base no artigo 132 por expor a vida de terceiros a risco.

Diferente da ação flagrada, registros oficiais da Esquadrilha feitos por drones ocorrem apenas sob rigorosa coordenação. Exemplos anteriores, como o realizado nas Cataratas do Iguaçu, contaram com planos de voo aprovados pelo CINDACTA e posição fixa do equipamento, garantindo a integridade dos pilotos.

 

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