Como é a colônia em Campos do Jordão que coronel sugeriu a suposto integrante do PCC

Local administrado pela Associação dos Oficiais da Polícia Militar tem 72 unidades de hospedagem, chalés com lareira, pensão completa e estrutura de lazer na Vila Natal

Uma colônia de férias localizada em Campos do Jordão ganhou repercussão nacional após ser mencionada em mensagens apresentadas pelo Fantástico neste domingo (26). Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, um coronel da reserva da Polícia Militar sugere que o grupo passe um feriado na chamada “Colônia dos Oficiais”.

“Podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais”, escreveu o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, segundo a reportagem. A mensagem teria sido enviada em setembro de 2020, em um grupo denominado “Viajar Gente Linda”, do qual participava Cléber Azevedo dos Santos, investigado por uma suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Mas como é o local sugerido na conversa?

Colônia fica na Vila Natal e possui 72 unidades

A Colônia de Campos do Jordão integra a estrutura turística da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a AOPM. O imóvel está localizado na Avenida Dr. Irineu Gonçalves da Silva, número 2.605, na Vila Natal, em uma região cercada por vegetação e situada no caminho em direção à Pedra do Baú e à Gruta dos Crioulos.

De acordo com a apresentação institucional da AOPM, o complexo possui 72 unidades de hospedagem. Embora o site utilize de forma geral a denominação “chalés”, a estrutura é formada por diferentes categorias de acomodações, incluindo apartamentos, chalés com lareira, chalés reversíveis e quartos reversíveis.

Há unidades mais simples, com quarto, banheiro, televisão e frigobar, e acomodações maiores, que podem ter dois quartos, sala com lareira, garagem, sacada ou cozinha. A capacidade varia conforme o tipo de hospedagem, chegando, em algumas unidades, a cinco pessoas.

A lareira aparece como um dos principais diferenciais dos chalés, especialmente por causa das baixas temperaturas registradas em Campos do Jordão durante o inverno. Algumas acomodações também possuem aquecedores de ambiente.

Pensão completa e estrutura para famílias

A hospedagem é oferecida com pensão completa. Estão incluídas três refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar. As bebidas são cobradas separadamente, segundo as informações disponibilizadas pela associação.

A estrutura de lazer inclui quadra poliesportiva, quadra de tênis, campo de futebol, brinquedoteca, playground, espaço fitness e salão de jogos. O complexo também possui centro de convivência com sala de televisão, espaços de leitura e estar, mesas de bilhar e carteado, lanchonete e pub.

A colônia permite ainda a hospedagem de animais de pequeno porte, mediante o pagamento de uma tarifa adicional por diária. As reservas são administradas por uma central da AOPM, que também mantém atendimento direto na unidade de Campos do Jordão.

Apesar da estrutura semelhante à de um empreendimento hoteleiro, o local é apresentado institucionalmente como uma colônia de férias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, voltada à hospedagem e ao lazer de seus usuários.

Reportagem não informou se viagem aconteceu

A menção à colônia aparece dentro de uma investigação mais ampla sobre os contatos mantidos entre policiais militares de alta patente e pessoas investigadas por suposta ligação com o PCC. As conversas analisadas incluem, segundo o Fantástico, suspeitas envolvendo viagens, pedidos de favores, proteção e pagamentos de propina.

De acordo com a reportagem, Cléber Azevedo dos Santos teria aceitado a sugestão feita pelo coronel no grupo de mensagens. No entanto, o material exibido não informou se a viagem a Campos do Jordão chegou efetivamente a acontecer, se alguma reserva foi realizada ou se os responsáveis pela colônia tiveram conhecimento das conversas ou da identidade dos possíveis hóspedes.

Também não foi apresentada qualquer suspeita de participação da administração da colônia nos fatos investigados. O estabelecimento aparece no caso apenas por ter sido citado pelo coronel como uma opção de destino para o feriado.

O coronel Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do Fantástico. A defesa de Cléber afirmou que ele nunca atuou como operador financeiro do PCC e negou o envolvimento dos policiais mencionados com suas empresas. A Secretaria da Segurança Pública informou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e que eventuais responsabilidades serão investigadas.

 

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