Um nome pouco conhecido há poucos anos, mas hoje sinônimo de filas quilométricas, preços baixos e alvoroço nas redes sociais. Alex Ye, empreendedor de origem chinesa, é o criador da Busca Busca, rede de lojas de importados que tem se espalhado pelo Estado de São Paulo com uma proposta simples e poderosa: produtos variados com preços até mais baratos que a Shopee, em uma experiência de compra presencial.
A mais recente inauguração, em São José dos Campos, repetiu o fenômeno que virou rotina para o empresário: gente dormindo na fila, vídeos viralizando, e centenas de pessoas disputando espaço para entrar no que muitos consideram um “templo do preço baixo”.
Da costura ao TikTok
Nascido em Wenzhou, na China, Alex chegou ao Brasil ainda criança, e iniciou sua vida profissional no ramo têxtil. Aos 20 anos, já comandava uma fábrica de roupas no Brás, em São Paulo, com 300 funcionários. Mas foi em 2022 que decidiu mudar completamente de rumo: vendeu tudo, viajou ao exterior e voltou com uma nova ideia — criar um centro onde vários importadores pudessem vender diretamente ao consumidor, eliminando intermediários e encurtando a cadeia de consumo.
A fórmula ganhou força com as redes sociais. Adotando a persona do “Chefe do Benefício”, Alex passou a aparecer em vídeos mostrando os produtos da loja com linguagem direta, testes inusitados (como jogar eletrônicos no chão para provar resistência) e gírias que viralizam entre os seguidores. Seu bordão? “Mais barato que a Shopee”.
Expansão acelerada
Com unidades já consolidadas no Brás e em Santo Amaro, a Busca Busca chegou em julho de 2025 ao Centro de São José dos Campos, ocupando o antigo Shopping Faro. A estratégia é sempre a mesma: ocupar prédios grandes, dividir o espaço entre dezenas de importadores e provocar um “buzz” nas redes antes mesmo da inauguração.
A promessa de preços até 30% menores do que os praticados pelo comércio tradicional atrai um público diversificado — de revendedores a consumidores curiosos. O impacto também é sentido no comércio local, onde pequenos lojistas veem o novo vizinho com atenção redobrada.
Filantropia e propósito
Apesar do tom descontraído nas redes, Alex costuma dizer que sua missão vai além do varejo. Parte da renda de boxes em suas lojas é destinada a instituições sociais, e há planos para a criação da Associação Busca Busca, voltada para ações comunitárias e formação profissional.
Em entrevistas, ele afirma: “A alma do negócio é o benefício. Se não tiver benefício para quem compra, não tem futuro.”
O que vem pela frente?
A meta de Alex Ye é ambiciosa: chegar a 100 lojas físicas no Brasil até o fim de 2025 e lançar um marketplace atacadista com taxas bem menores que as de plataformas tradicionais. Mas, ao contrário de muitos varejistas digitais, ele mantém os pés no chão — literalmente. Acredita no poder da loja física, do contato com o público e da experiência sensorial que um clique na tela não substitui.
A cada novo endereço, o “Chefe do Benefício” confirma que sua proposta é mais do que modismo. É uma nova forma de pensar o comércio popular — com sotaque chinês, alma brasileira e espírito de rede social.


