Anvisa aprova novas regras e amplia acesso à cannabis medicinal no Brasil

Medida autoriza cultivo por pessoas jurídicas e expande formas de comercialização, sem liberar uso recreativo

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas regras que ampliam o acesso à cannabis medicinal no Brasil e passam a autorizar o cultivo da planta para fins medicinais e científicos, exclusivamente por pessoas jurídicas.

A decisão não libera o uso recreativo da cannabis. As normas se aplicam apenas a empresas, universidades e associações de pacientes devidamente autorizadas, que poderão produzir medicamentos e outros produtos regulados à base de cannabis.

A cannabis — popularmente conhecida como maconha — é utilizada pela indústria farmacêutica para extração de substâncias como canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC), empregadas no tratamento de diversas condições de saúde, como epilepsia refratária, dores crônicas e distúrbios neurológicos.

O que muda na prática

Com a nova regulamentação, a Anvisa passa a permitir:

  • Cultivo de cannabis por pessoas jurídicas autorizadas, para fins medicinais e científicos
  • Venda de produtos em farmácias de manipulação
  • Comercialização de medicamentos para uso bucal, sublingual e dermatológico

As regras mantêm o controle sanitário e exigem rastreabilidade, prescrição médica e cumprimento de critérios técnicos rigorosos.

Por que a decisão é relevante

A expectativa é de consolidação do mercado de medicamentos à base de cannabis no país. Atualmente, cerca de 2 mil produtos já são regulamentados no Brasil.

Segundo estimativas da consultoria Kaya Mind, o setor movimentou R$ 853 milhões em 2024 e atendeu aproximadamente 672 mil pacientes, número que tende a crescer com a ampliação do acesso e a redução de barreiras regulatórias.

A mudança representa um avanço na política de saúde, ao mesmo tempo em que mantém limites claros entre o uso medicinal regulado e a proibição do uso recreativo.

 

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