Após 53 anos Clube Cereja encerra suas atividades, deixando como legado uma das mais belas histórias de Campos do Jordão

Numa linda cerimônia realizada neste sábado (2), com a típica formalidade oriental, mas também com uma boa dose da emoção característica do povo brasileiro, o Clube Cereja (Clube Cultural e Recreativo Cereja de Campos do Jordão) encerrou suas atividades.

A organização reuniu durante toda sua existência, aquela que foi a maior representatividade de estrangeiros no alto da Serra da Mantiqueira, nossos queridos japoneses.

Muitos provenientes do Japão em guerra, outros buscando a cura da tuberculose, Campos do Jordão sempre contou com uma grandiosa, tanto em quantidade, quanto em qualidade, colônia Japonesa. Famílias inteiras fixaram residência em Campos do Jordão e região e muitas delas vieram a ser famílias de enorme relevância para comunidade.

Quem nunca ouviu falar dos Arakakis? Ou dos Massakasu, dos Takarrashi ou dos Abe? Quem nunca ouviu uma história do Noboru Oya ou Carlos Oya como era tão conhecido o que talvez  tenha sido o maior representante da colônia Japonesa em Campos do Jordão!

Para os orientais que aqui chegavam sem família e sem referências, cá estava ela: Fumiko Minamissako, não por acaso conhecida Mamãe Japonesa.

Essas, entre tantas outras famílias orientais, ajudaram a construir Campos do Jordão! E todos estavam lá! No quadro social do Clube Cereja.

O clube foi responsável por grandes eventos culturais da cidade. Foram os criadores da Festa da Cerejeira em Flor, evento mais tradicional de Campos do Jordão, mais até do que o famoso Festival de Inverno. Mas não pararam por aí! Festa das Hortênsias, Festa do Pinhão, Jogos da Primavera… Em todos esses eventos havia de alguma maneira o “DNA oriental” do Clube Cereja.

Num dos mais trágicos momentos de Campos do Jordão, a catástrofe ocorrida na Vila Albertina em 1972, lá estava o Clube Cereja, acolhendo e apoiando quem a ele procurou com pedido de ajuda.

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Como legado uma das mais belas histórias de Campos do Jordão

O maior legado do Clube Cereja é sua própria história, sua trajetória benevolente, que está toda relatada no livro “Clube Cereja de Campos do Jordão – Uma jornada de Cultura, Entretenimento e Cidadania” escrito pelo historiador e escritor Maurício de Souza Lino.

As mais de 200 páginas do livro conta desde de a criação do clube, até às principais realizações e não deixa de lembrar dos seus sócios e colaboradores orientais ou não.

Solidariedade até o último ato!

Seguindo as normas estatutários do Clube, precedeu a sua dissolução a doação de todo o seu patrimônio para entidades sem fins lucrativos de Campos do Jordão. Quatro asilos foram contemplados com a doação do produto auferido pela vendo do patrimônio do clube. A renda do livro lançado lançado também neste ocasião igualmente será destinadas a ações sociais.

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