Nos últimos meses, as chamadas armas de gel, ou gel blasters, ganharam popularidade no Brasil, especialmente entre jovens e adolescentes. Apesar de serem vendidas como itens recreativos, esses equipamentos, que disparam projéteis feitos de hidrogel, têm levantado sérias preocupações devido aos riscos associados ao seu uso.
O que são armas de gel?
As armas de gel são réplicas que utilizam bolinhas biodegradáveis de hidrogel como munição. Embora sejam descritas como inofensivas por seus fabricantes, o impacto desses projéteis pode causar acidentes, principalmente em crianças e adolescentes, público que frequentemente utiliza esses dispositivos sem a supervisão adequada.
Riscos à saúde e a segurança
A Fundação Altino Ventura, em Recife, registrou 63 casos de lesões oculares graves provocadas por armas de gel em menos de duas semanas, entre novembro e dezembro de 2024. As bolinhas, ao atingirem os olhos, podem causar traumas como descolamento de retina, lesões na córnea e, em casos extremos, perda da visão.
“Essas armas são perigosas, especialmente porque muitos jovens não utilizam equipamentos de proteção adequados, como óculos de segurança”, alertou a oftalmologista Dra. Patrícia Nunes, da fundação.
Além dos danos físicos, o design das armas de gel, que imita armas de fogo reais, tem gerado preocupação entre as autoridades. Em situações de uso em locais públicos, essas réplicas podem ser confundidas com armamento verdadeiro, causando alarmes ou até reações fatais de forças de segurança.
“O uso irresponsável desse equipamento em espaços públicos aumenta o risco de abordagens policiais equivocadas, colocando vidas em risco”, comentou o delegado João Alves, de Pernambuco.
Proibições em várias cidades
Em resposta ao aumento dos incidentes, diversas cidades brasileiras estão restringindo ou proibindo a venda e o uso das armas de gel. Em Paulista e Olinda, ambas em Pernambuco, leis municipais já proíbem sua comercialização e utilização, com penalidades para os infratores. O estado de Sergipe também recomendou a proibição em âmbito estadual.
Armas de gel não são consideradas brinquedos e não possuem certificação
O Inmetro esclareceu que as armas de gel não são consideradas brinquedos e não possuem certificação para serem vendidas como tal. De acordo com a Portaria nº 302/2021, esses dispositivos devem ser comercializados como réplicas, com restrições específicas, e não como itens recreativos.
Como proteger crianças e adolescentes?
Especialistas recomendam que pais e responsáveis fiquem atentos à compra e ao uso de armas de gel. É fundamental:
- Verificar as regulamentações locais sobre a venda e o uso;
- Orientar os jovens sobre os riscos envolvidos;
- Exigir o uso de óculos de proteção;
- Restringir o uso a ambientes controlados e seguros.
Embora sejam promovidas como brinquedos, as armas de gel apresentam riscos consideráveis à saúde e à segurança pública. Mais do que diversão, é necessário priorizar o bem-estar e conscientizar a população sobre os perigos desse tipo de equipamento. Responsabilidade e regulamentação são fundamentais para evitar acidentes e preservar vidas.


