As meninas do colégio – CEENE e a notícia sobre morte do cantor Agnaldo Rayol (Por: Edmundo F. da Rocha)

A televisão no Brasil teve início em 18 de setembro de 1950, quando da inauguração da pioneira TV Tupi de São Paulo, com os equipamentos trazidos pelo magistral Assis Chateaubriand, fundando o primeiro canal de televisão no Brasil. Na década de 1960, a televisão e, ainda no seu início, não eram todos que tinham condição de ter um aparelho em sua casa, somente os mais abastados financeiramente. Lembro-me de que, no início da década de 1960, precisamente no ano de 1961, o rádio ainda era o aparelho mais utilizado por grande parte dos brasileiros, especialmente aqui do estado de São Paulo. Nessa época, uma notícia veiculada através das ondas de uma das radioemissoras brasileiras se espalhou rapidamente. Foi noticiado que o grande cantor Agnaldo Rayol, um dos mais apreciados cantores brasileiros, havia falecido em decorrência da queda do avião em que viajava do Rio de Janeiro para São Paulo.

Essa notícia correu rapidamente. Os noticiários veiculados através do rádio não tinham a mesma velocidade que os noticiários atuais. Atualmente, acontece alguma coisa em qualquer lugar do mundo, em poucos segundos, os noticiários dos diversos canais de televisão e também do rádio já estão divulgando e dando conhecimento ao mundo. Uma notícia para ser alterada ou modificada demorava um tempo considerável.

Lembro que, nessa época, eu estudava no curso ginasial do nosso saudoso Colégio e Escola Normal Estadual de Campos do Jordão – CEENE. Essa notícia gerou grande desespero entre as lindas garotas que estudavam no colégio. Eram, praticamente, meninas entre treze e quatorze anos de idade, talvez, algumas pouco menos e outras um pouco mais. Foi uma choradeira impressionante. Algumas garotas quase chegaram a desmaiar. Lembro que, entre essas queridas colegas, estavam: Silvia Maria Dolores de Carvalho, Victória Elizabeth Barbosa, Maria Lucia Alves, Maria da Penha Rocha Streng (Pizarro), Rosy Mary Serruoti Gizzi, Ana Maria Miravetti Damas, Maria Aparecida da Cruz Fernandes e muitas outras.

Confesso que, naquela oportunidade, até fiquei com um pouco de ciúmes dessa grande paixão das meninas pelo Agnaldo Rayol, especialmente vendo a minha namoradinha daquela época chorando também.

As meninas quase nem conseguiam assistir às aulas. Durante quase todo o período da tarde, as aulas do colégio foram bastante prejudicadas pela tristeza e choro das meninas. Felizmente os professores, também, tristes com a notícia, entenderam o momento doloroso e até relevaram alguns exageros.

Somente próximo do final da tarde, felizmente, essa terrível notícia foi alterada e desmentida a morte do cantor Agnaldo Rayol. Como dizemos nos dias atuais, foi uma “fake news”, notícia falsa. Grande felicidade e alegria tomou conta das queridas meninas e colegas que passaram, quase toda a tarde, chorando e lamentando a morte do grande ídolo.

Na realidade, a notícia falsa aconteceu por causa de grande descuido e falta de informação correta. A história aconteceu mais ou menos desta maneira: Agnaldo Rayol foi dado como morto e as rádios da época, lamentando aos quatro cantos o seu desaparecimento prematuro, com apenas 23 anos de idade. Na realidade, no ano de 1961, o cantor ia embarcar na ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, num Scandia da Vasp. No momento do embarque, o cantor foi tomado de um medo inexplicável de ir naquele voo. Hesitante, seguiu sua intuição. Deu sua passagem de presente a um publicitário que acabara de chegar atrasado no aeroporto. Na realidade, Agnaldo Rayol teve uma premonição. O avião em que viajaria caiu na cidade de Ubatuba e, infelizmente, morreram todos passageiros.

Sua viagem para o Rio de Janeiro foi feita de carro. Lá chegando, sem saber de nada, foi para o apartamento do hotel em que ficou hospedado. Quando entrou no hotel levou um grande susto com a multidão que estava nas proximidades. E também assustada ficou a multidão. As pessoas arregalavam os olhos como se tivesse chegado um fantasma. Afinal, esperavam era aquele que havia morrido entre os passageiros do avião que havia caído.

OBS.: Notícia publicada no livro “Bisbilhotices – Segredos e Curiosidades das Celebridades de Todos os Tempos”, de Amaury Jr., com adaptações da minha autoria/ Edmundo F. Rocha
Esta é mais uma das histórias inesquecíveis que aconteceram em nosso saudoso CEENE, durante o tempo em que lá estudamos, nas décadas de 1950 e 1960.

Edmundo Ferreira da Rocha – 14 de junho de 1999.

 

Edmundo Ferreira da Rocha
é historiador fotográfico de Campos do Jordão e
proprietário do site Campos do Jordão Cultura 

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