Cidades do Vale do Paraíba enfrentam índices de umidade do ar comparáveis ao deserto do Saara

Nesta segunda-feira (9), cidades do Vale do Paraíba e região registraram níveis críticos de umidade relativa do ar, comparáveis aos do deserto do Saara. Dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) revelaram índices alarmantes em Taubaté, Bragança Paulista, Campos do Jordão, São Luiz do Paraitinga e Cachoeira Paulista, refletindo a gravidade da onda de calor e do tempo seco que afeta a região.

A situação mais grave foi verificada em São Luiz do Paraitinga, onde a umidade caiu para 12%. Em Campos do Jordão, o índice chegou a 16%, enquanto Bragança Paulista e Taubaté registraram 17% e 19%, respectivamente. Em Cachoeira Paulista, a umidade foi de 24%, um nível acima do padrão desértico, mas ainda alarmante para a saúde, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda níveis ideais entre 60% e 80%.

Os números registrados na região são comparáveis aos do deserto do Saara, no norte da África, onde a umidade varia entre 14% e 20%. Especialistas explicam que essa situação crítica é resultado de uma combinação de seca prolongada, calor extremo e bloqueios atmosféricos, que impedem a chegada de frentes frias e chuvas, reduzindo a umidade do ar.

Impactos na saúde e recomendações

Com a umidade em níveis tão baixos, os problemas de saúde relacionados ao tempo seco aumentam. A baixa umidade pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar condições crônicas, como asma e bronquite. Sintomas como dor de cabeça, cansaço e ressecamento das mucosas também são comuns.

Para enfrentar esses dias de clima árido, especialistas recomendam algumas medidas importantes:

Hidrate-se constantemente: A ingestão de pelo menos dois litros de água por dia é essencial para manter o corpo hidratado.

Umidifique o ambiente: Utilizar um umidificador de ar ou, na falta dele, bacias de água ou toalhas umedecidas, pode aliviar o desconforto causado pelo ar seco.

Cuidar das mucosas: O uso de soro fisiológico para hidratar o nariz e os olhos, duas vezes ao dia, é uma recomendação importante.

Evite exposição ao sol e exercícios físicos entre 11h e 17h, os períodos mais críticos de calor.

Limpeza do ambiente: Manter a casa livre de poeira ajuda a minimizar problemas respiratórios.

A situação de emergência causada pela baixa umidade não se restringe apenas às cidades com estações meteorológicas, mas se estende aos municípios vizinhos do Vale do Paraíba e região bragantina. A ausência de chuvas e a onda de calor prolongada aumentam o risco de queimadas e dificultam o alívio das condições extremas.

Especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que visem mitigar os impactos das mudanças climáticas na região e prepararem a população para enfrentar eventos climáticos severos que, com o passar dos anos, estão se tornando mais frequentes e intensos.

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