A tarde desta terça-feira (7) foi marcada por um encontro especial entre gerações, histórias e identidade em Campos do Jordão. A exibição de curtas metragens do Coletivo Inhã Ponnã, realizada no Espaço Cultural Dr. Além, transformou o cinema em um espaço de memória viva e reconhecimento das origens da Serra da Mantiqueira.
A iniciativa partiu das mulheres do Coletivo Inhã Ponnã, descendentes do povo Puri, que habitaram a região muito antes de qualquer delimitação urbana. Mais do que organizadoras, elas foram protagonistas de uma narrativa que resiste ao tempo e segue sendo transmitida de geração em geração.

A sessão também foi marcada pela participação de duas figuras centrais do documentário “O que tem na farofa da Puri”: Neuza Lidia e Andrelina da Silva, descendentes diretas do Povo Puri. A presença delas deu ainda mais força ao momento, conectando o público não apenas às histórias contadas na tela, mas às pessoas que carregam, na prática, esse legado ancestral. Esteve presente ainda o Sr. João Rozendo, morador do Bairro do Centro onde um dos documentários foi gravado.
O público presente reforçou o caráter simbólico do encontro. De um lado, alunos da rede pública municipal, Escola Interação e Senac; de outro, idosos do Centro de Convivência dos Idosos. Entre eles, o elo invisível da cultura — aquele que atravessa o tempo, conecta gerações e reafirma pertencimento.
Mais do que uma exibição, a iniciativa evidencia a importância de projetos culturais que começam ainda na produção dos documentários. Registrar histórias, ouvir os mais antigos, valorizar saberes tradicionais e transformá-los em linguagem acessível são etapas fundamentais para que essas memórias não se percam.
Quando esse conteúdo chega ao público, especialmente em espaços coletivos, o impacto se amplia. Crianças aprendem sobre suas origens, idosos se reconhecem nas narrativas e toda a comunidade passa a enxergar com mais clareza a riqueza cultural que existe ao seu redor.
Em tempos em que tantas histórias correm o risco de desaparecer, ações como essa reafirmam um compromisso essencial: o de preservar, valorizar e compartilhar as raízes que formam a identidade da Mantiqueira. Mais do que assistir, o público participou de um momento de reconexão — com a história, com o território e com aquilo que nos define como comunidade.
Apoio: Governo Federal, Ministério da Cultura, Política Nacional Aldir Blanc, Prefeitura de Campos do Jordão, Secretaria de Valorização da Cultura, Coletivo Inhã Ponnã.
Fotos: Sophie Araujo


