A companhia aérea norte-americana SkyWest afirmou que não pretende arcar com a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sobre jatos produzidos pela Embraer. A medida está prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto de 2025.
“Não estamos dispostos a pagar uma tarifa de 50% sobre novas entregas de aeronaves”, declarou o CEO da SkyWest, Chip Childs, durante apresentação do balanço do segundo trimestre. Ele afirmou, no entanto, que a previsão de produção da empresa para 2025 não deve ser alterada, mas indicou que as entregas programadas para o terceiro trimestre poderão ser adiadas para o fim do ano ou mesmo para 2026.
Em junho, a Embraer anunciou uma encomenda de 60 jatos pela SkyWest. Na apresentação mais recente, a companhia aérea informou que o total de aviões já adquiridos chegou a 74, com entregas previstas até 2032. Apesar da intenção de manter o pedido, Childs destacou que a SkyWest possui “flexibilidade para adiar ou cancelar”.
A Embraer, uma das mais afetadas pelas medidas tarifárias, tenta contornar os impactos. O CEO da fabricante brasileira, Francisco Gomes Neto, afirmou que se reuniu com autoridades norte-americanas dos departamentos de Comércio, Tesouro e Transportes, além de representantes do setor comercial dos EUA. Segundo ele, a Embraer detém mais de 80% do mercado de aviação regional nos Estados Unidos, com seus jatos transportando cerca de 5 milhões de passageiros por mês.
Wade Steele, diretor comercial da SkyWest, reforçou que a companhia está disposta a negociar com a Embraer e demais parceiros para adiar as entregas caso a tarifa seja aplicada. “Todas as partes estão motivadas a colaborar na questão tarifária”, disse.
Segundo Childs, a SkyWest está bem posicionada para lidar com o cenário adverso: “Temos relacionamentos muito sólidos com nossos principais parceiros e com a Embraer, todos interessados em encontrar soluções sustentáveis”. Ele ainda afirmou que “as pessoas estão entendendo o impacto econômico” das tarifas para os próprios Estados Unidos.
A medida tarifária anunciada por Trump integra uma nova rodada de pressões comerciais sobre o Brasil, e deve provocar reações no setor industrial e diplomático.


