Caminho da Fé, o percurso religioso que coloca Campos do Jordão na rota dos peregrinos

Inspirado na peregrinação de Santiago de Compostela, na Espanha, o Caminho da Fé foi criado em fevereiro de 2003 e hoje passa por 20 cidades.

Foto: Michele Viana

O sertanista Gaspar Vaz da Cunha, pioneiro a transpor a serra da Mantiqueira, jamais poderia imaginar que desbravaria um dos mais belos destinos turísticos do Brasil. Dois séculos depois, a cadeia de montanhas atrai gente do mundo inteiro atrás de suas florestas intocáveis, solo fértil e clima excepcional.

Em meio a tantas belezas naturais surgiu Campos do Jordão, estância climática frequentada por turistas de todo o país e do exterior, e também por pessoas religiosas. A cidade está no Caminho da Fé, nome dado ao roteiro de peregrinação dos católicos rumo ao Santuário Nacional de Aparecida.

Quase 500 quilômetros pelas montanhas magníficas

Inspirado na peregrinação de Santiago de Compostela, na Espanha, o Caminho da Fé foi criado em fevereiro de 2003 e hoje passa por 20 cidades. São cerca de 970 quilômetros desde Tambaú, no interior de São Paulo, até o Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba paulista. Deste total, aproximadamente 500 quilômetros cortam a serra da Mantiqueira.

O trecho de maior movimento começa em Águas da Prata, em São Paulo, e cruza todo o sul de Minas Gerais passando por Andradas, Ouro Fino, Borda da Mata, Tocos do Moji, Estiva, Paraisópolis e Luminosa. São mais de 300 quilômetros onde a topografia montanhosa é parceira inseparável durante toda a aventura.

A pé, a cavalo ou de bicicleta, os devotos de nossa senhora Aparecida não se abalam com as dificuldades do percurso. Movidos pela fé enfrentam qualquer sacrifício, que é recompensado a todo instante pelas mais belas paisagens do cone leste paulista.

 

 

Foto Paula Ferrari

 

Próximo a Campos do Jordão, os peregrinos atingem 1820 metros acima do nível do mar. Lá do alto a vista para vales e picos é indescritível, simplesmente de tirar o fôlego! Por isso, o ideal é parar e contemplar a natureza privilegiada da “Suíça brasileira”. Uma pausa para se recuperar do cansaço e completar a jornada.

Campos do Jordão amiga do peregrino

Antes de iniciar a peregrinação é preciso planejar o roteiro. Dentro do Caminho da Fé existem vários ramais que partem de diferentes cidades e que podem ser consultados na internet, no site www.caminhosdafe.com.br.
Todos possuem estradinhas de terra sinuosas que contam com placas a cada dois quilômetros informando quanto já foi percorrido e a distância que ainda falta até o destino final. Após um dia inteiro de viagem, nada melhor que o descanso merecido.
Existem dezenas de hotéis e pousadas parceiros do Caminho da Fé cadastrados como Amigos do Peregrino porque oferecem condições especiais aos viajantes. Conheça os meios de hospedagem que fazem parte do roteiro em Campos do Jordão.

Um toque de lazer no roteiro religioso

Antes de prosseguir com a peregrinação, que tal aproveitar a parada em Campos do Jordão para passear? Conheça as florestas de Araucárias e os campos de altitude citados no hino da cidade como “obras supremas do divino mestre”. A dica é visitar o Tarundu, o maior complexo de lazer e entretenimento da Mantiqueira, onde existem mais de 30 atividades ao ar livre em contato direto com a natureza, e também indoor, que garante o divertimento inclusive nos dias de chuva.
A arquitetura européia é outra atração na estância. É comum encontrar prédios comerciais e residenciais erguidos no estilo enxaimel, que usa peças de madeira nas paredes para compor figuras geométricas na vertical e horizontal. Um exemplo clássico é o prédio do Sans Souci, que mais parece um castelo erguido às margens da avenida Januário Miraglia, em Jaguaribe.
Assim que concluir o Caminho da Fé em Aparecida, apareça em Campos do Jordão também na volta. Agora com mais tempo, visite as igrejas que ajudam a contar a história da cidade, como a de Nossa Senhora da Saúde, em Jaguaribe. O nome lembra o período em que a estância era importante polo de tratamento da tuberculose.
Dê preferência à baixa temporada, quando a contemplação fica ainda mais intimista, e com pouco trânsito o ar parece ainda mais puro ao invadir os pulmões, oxigenando o cérebro e renovando as energias para seguir em frente

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