Dicionário Jordanense | Por: Benilson Toniolo

Às vésperas de mais uma temporada de inverno, quando a cidade se prepara para receber novamente hordas de turistas que chegam a Campos do Jordão interessadas em conhecer – e rever, em muitos casos – nossas maravilhas, curtir um pouco de nossa temperatura e paisagem características da estação e as inúmeras atrações turísticas, elencamos abaixo algumas expressões populares que permitirão, durante suas interações com nosso povo, que aqueles que nos visitam saibam exatamente o que significam algumas expressões comumente utilizadas no dia-a-dia da Montanha Magnífica.

 

Claro está, no entanto, que as ditas expressões verbais abaixo relacionadas não esgotam o assunto, limitando-se apenas a servir como uma espécie de “guia básico” cujo objetivo é, evidentemente, auxiliar o visitante a compreender melhor, e de forma mais autêntica, parte da nossa identidade cultural que tem, na expressão linguística, uma de suas manifestações mais legítimas.

 

Vamos a algumas delas:

 

Armô: deu certo; confirmado.

 

Armô eu: fui favorecido.

 

Armó nóis: fomos favorecidos.

 

Arregaçá: verbo convertido em medida de tempo (demorô pra arregaçá); de distância (longe pra arregaçá); de quantidade (comi pra arregaçá); de volume (trabaiei pra arregaçá), de temperatura (frio pra arregaçá) etc.

 

Azarve: as árvores.

 

Belezinha: algo agradável.

 

Berna: Vila Abernéssia.

 

Berness: Vila Abernéssia.

 

Beudim: levemente alcoolizado.

 

Beudim beudim: bastante alcoolizado.

 

Beudim di tudo: extremamente embriagado.

 

Beudo: bêbado, embriagado, alcoolizado.

 

Biscate: garota fácil, vagabunda, periguete.

 

Biscatear: agir como biscate.

 

Bondão: ônibus.

 

Bondim: bonde da Estrada de Ferro, atualmente inoperante. 

 

Caboco: caboclo, sujeito, indivíduo.

 

Capaimêmo: imagine; o que é isso?; duvido, inacreditável.

 

Capiva: Vila Capivari.

 

Chique: bom, bacana, de boa qualidade.

 

Chique memo: muito bom, ótimo, muito bacana, de muito boa qualidade.

 

Chique no úrtimo: maravilhoso, sensacional.

 

Coisão: mulher bonita.

 

Crendeuspai: creia (ou creio) em Deus Pai.

 

Dizque: dizem.

 

Eis tudim: eles todos.

 

Escangaiado: aberto, exposto, vulnerável.

 

Facim: muito fácil, disposto, disponível.

 

Fi: filho.

 

Firmin: firminho.

 

Giadão: geada muito forte.

 

Jaguauí: Vila Jaguaribe.

 

Lerdo: lento.

 

Liso: esperto.

 

Macuco no borná: certeza.

 

Meia-roda: mau motorista.

 

Mercadão: mercado municipal de Abernéssia.

 

Modão: música tradicional brasileira, sertaneja, de raiz.

 

Mortim: em excesso. Ex.: mortim de beudo.

 

Muiezá: paquerar.

 

Naonde: onde, em qual lugar.

 

Nass: nossa!

 

Nimí: em mim.

 

Niquí: em que.

 

Nô…: interjeição de espanto: “Nossa!” 

 

Nuss: interjeição de espanto: “Nossa!”

 

Ó procê ver: veja, preste atenção, confira, certifique-se.

 

Prestenção: fique atento, preste atenção.

 

Rabo de zóio: visão periférica.

 

Rapaizim: qualquer indivíduo do sexo masculino, independente da faixa etária.

 

Roda-presa: mau motorista.

 

Sapecada: preparar pinhão assado utilizando as garras secas da araucária; relação sexual. 

 

Té umazora (até umas horas): por muito tempo.

 

Tiozim: senhor idoso.

 

Turistar: ato de fazer turismo na própria cidade.

 

Uascana: umas canas, certa quantidade de bebida alcoólica.

 

Esperamos, com essa simples contribuição, não apenas promover a tradicional boa convivência entre munícipes e visitantes, como ainda ressaltar que, no fundo, no fundo – mas pensando bem, nem tão no fundo assim – a nossa identidade cultural é esse mosaico de culturas que, ao longo da História, fez nascer essa linguagem tão bonita que nos caracteriza e consolida como habitantes da serra, meio mineiros, meio paulistas, mas acima de tudo caipiras, caboclos, tropeiros e, mais do que tudo, brasileiros.

Sejam bem-vindos à Montanha Magnífica! Aproveitem tudo de melhor que Campos do Jordão tem a oferecer e leve, nos ouvidos e no coração, um pouco mais de nossa cultura.

 

 

 

 

Benilson Toniolo, professor, escritor e historiador, foi Secretário Municipal de Valorização da Cultura de Campos do Jordão (2013-2024) e atua como consultor do Sebrae para efetivação de políticas públicas de Cultura em doze municípios brasileiros. Membro de diversas Academias de Letras e outras entidades culturais, escreve artigos sobre Política, História e Cultura.

 

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