Campos do Jordão tem exposição que marca os 50 anos de trajetória artística de Susumo Harada

Mostra em Campos do Jordão revisita cinco décadas de produção de um artista autodidata, múltiplo e inquieto, com obras em xilogravura, escultura, desenho e pintura.

A Casa da Xilogravura apresenta a exposição “Susumo Harada – 50 anos de Arte”, uma homenagem a meio século de trajetória de um dos artistas mais singulares das artes visuais brasileiras. A mostra reúne diferentes fases e linguagens de um criador que construiu sua obra com rigor, sensibilidade e profunda independência intelectual.

A relação entre a Casa da Xilogravura e Susumo Harada atravessa décadas. Em 1986, suas xilogravuras já haviam sido expostas na então Pinacoteca Municipal de Campos do Jordão, instituição dirigida à época por Antonio F. Costella. Anos depois, em 2006, o artista voltou a ocupar o espaço com uma mostra individual. Agora, no marco simbólico de seu cinquentenário artístico, sua obra é novamente colocada em evidência, reafirmando a importância de sua contribuição para a gravura e para a arte brasileira contemporânea.

O artista que conciliou a arte com o trabalho cotidiano

Nascido em 11 de junho de 1938, na zona rural de Barueri (SP), Susumo Harada foi autodidata. Desenvolveu sua produção artística paralelamente à vida profissional como mecânico, atuando na Companhia Sorocabana e na Viação Cometa. Mesmo longe dos circuitos acadêmicos formais, construiu uma trajetória impressionante, marcada por disciplina e produtividade: ao longo dos anos, produziu uma quantidade extraordinária de obras em desenho, xilogravura, pintura e escultura, participando de quase duzentas exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior.

Na xilogravura, linguagem que ocupa lugar central em sua obra, Harada revelou um olhar atento para o essencial. Com traço delicado, foi capaz de expressar a grandeza das coisas simples — uma borboleta, um nó, um talo de bambu. Essa poética da contenção e da precisão levou o crítico de arte Olney Kruse a definir seu trabalho como portador da “força da delicadeza”, expressão que sintetiza com precisão o impacto silencioso de suas imagens.

Como escultor, Susumo Harada seguiu um caminho mais áspero e provocador. Fixou-se em um tema recorrente: o cinto de castidade, utilizado como metáfora de protesto contra o machismo e a sujeição brutal da mulher. O tom irônico e crítico dessas obras deu origem ao livro bilíngue A Práxis da Tortura na Utopia Poética, consolidando uma das vertentes mais contundentes de sua produção artística.

A inquietação intelectual de Harada extrapolou as artes visuais. Apaixonado pela história, ele se dedicou à redescoberta, em campo, de trechos do Peabiru, antigo caminho indígena que conectava o interior do atual estado de São Paulo ao Império Inca, muito antes da chegada dos europeus. Essa verdadeira epopeia resultou nos livros Peabiru Ponto X e Jaguamimbaba. No prefácio deste último, o historiador Hernani Donato cunhou o apelido que acompanharia o artista: “O Samurai do Peabiru”.

Sua produção editorial inclui ainda o delicado livro de haicais Imagens para ver e sentir, ilustrado artesanalmente por Harada, em parceria com a poetisa Vera Lúcia de Godoy Corrêa, evidenciando mais uma vez o diálogo entre imagem, palavra e sensibilidade.

Ao celebrar os 50 anos de arte de Susumo Harada, a Casa da Xilogravura reafirma seu papel como espaço de preservação, reflexão e difusão da gravura e das artes visuais, oferecendo ao público uma oportunidade rara de contato com uma obra coerente, intensa e profundamente humana.

Serviço

Susumo Harada – 50 anos de Arte
Museu Casa da Xilogravura
Av. Eduardo Moreira da Cruz, 295 – Vila Jaguaribe – Campos do Jordão (SP)
De 1º de janeiro a 30 de março de 2026
Visitação: quinta a segunda-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h (Fecha às terças e quartas-feiras)
www.casadaxilogravura.com.br
[email protected]

 

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