Eventos existem aos montes. De todas as dimensões, tamanhos, valores, temáticas, públicos, características. Toda hora aparece um novo. Alguns chegam e permanecem, outros subsistem apenas por algumas edições, outros ainda se transformam tanto de um ano para outro que acabam ganhando até mesmo outra personalidade totalmente distinta de sua primeira edição. A maioria não sai da intenção, não consegue sair do papel.
Colocar um evento de pé é tarefa hercúlea: imaginar, elaborar, planejar, engajar, reunir, construir, executar e pagar são ações que exigem conhecimento, empenho, dedicação, relacionamento e boa disponibilidade orçamentária.
Existem festas, festivais, feiras, jornadas e outros diversos congêneres, mas para o morador de Campos do Jordão existe um evento, em especial, que ocupa um lugar de destaque em seu coração: a Festa do Pinhão.
Criada em 1961 por iniciativa do Lions para “fortalecer as caixas escolares do município”, a Festa chega neste ano à sua 60º edição revigorada e disposta a brilhar ainda mais – não apenas como um evento no calendário, mas como um verdadeiro patrimônio afetivo e cultural de Campos do Jordão.
O tema é irresistível: celebrar o pinhão é, em essência, reverenciar nossas raízes. É reconhecer o valor de um alimento que, por gerações, esteve – ainda está! – presente na mesa das famílias jordanenses, especialmente nos períodos mais frios, quando o convívio se torna ainda mais próximo e significativo. Cada receita, cada fogueira acesa, cada encontro ao redor do pinhão carrega consigo fragmentos de memória que ajudam a contar a história viva desta nossa cidade.
Ao longo de seis décadas, a Festa do Pinhão consolidou-se como um espaço de encontro entre passado e presente, tradição e renovação. Ela não só preserva nossa identidade como também permite que as novas gerações compreendam e valorizem nossa essência camponesa e serrana.
Depois de anos de discussões vazias e dúvidas sobre sua realização, eis que ela, a Festa, ressurge como um exemplo de construção coletiva. É fruto de um esforço conjunto que envolve o poder público municipal e a sociedade civil, em uma atuação sinérgica que demonstra o quanto a Cultura se fortalece quando há compromisso compartilhado. Em tempos em que muitos eventos tradicionais enfrentam desafios para se manterem, garantir a continuidade da Festa do Pinhão é, por si só, um ato de resistência cultural.
Mais do que nunca, é fundamental reconhecer a importância de iniciativas como esta. Elas não apenas movimentam a economia local e o turismo, mas, sobretudo, preservam aquilo que não pode ser substituído: o sentimento de pertencimento, o nosso orgulho e a nossa identificação com aquilo que verdadeiramente somos.
Que esta 60ª edição seja, portanto, não apenas uma celebração, mas também um marco de continuidade. Um lembrete de que cuidar da Cultura é cuidar da própria identidade — e que tradições como a Festa do Pinhão seguem sendo um elo vivo entre quem fomos, quem somos e quem desejamos ser.

Benilson Toniolo, professor, escritor, historiador e gestor público, atua como consultor da AME Cultura (Agência Mineira de Entretenimento) em projetos do Sebrae para efetivação de políticas públicas de Cultura em diversos municípios brasileiros. Membro de várias Academias de Letras e outras entidades, escreve artigos sobre Política, História e Cultura.


