FLIMA faz da Mantiqueira a capital brasileira da literatura

De 15 a 18 de maio, Santo Antonio do Pinhal celebra a presença de escritores, escritoras, músicos, poetas, compositores, artistas de diversas modalidade e público amante – e consumidor – de arte e cultura de todo o país para a sétima edição da FLIMA, Festa Literária Internacional da Mantiqueira.
Criada, conduzida e “batalhada” (literal e literariamente!) pelo jornalista, livreiro, empresário e empreendedor cultural Roberto Guimarães, o evento se consolidou desde sua primeira edição, em 2018, como um dos principais encontros em torno do livro e da leitura realizados no país.
Todos os anos, o charme, o encanto e o clima bucólico e aconchegante da linda Santo Antonio recebem e abraçam os amantes da literatura, que nesta edição poderão prestigiar, além de alguns dos principais nomes do atual cenário das letras no Brasil, uma mesa de debates, mediada pelo próprio Roberto, com a participação do escritor amazonense Milton Hatoum, o homenageado desta edição, autor de obras premiadas como Cinzas do Norte, Dois Irmãos e Relatos de Um Certo Oriente, entre outras.

Mas o destaque não é só ele: além das mesas, dos estandes das principais editoras do país e de uma programação diversificada e abrangente, inclusive com atrações internacionais, o que mais tem na FLIMA é gente querendo ler, gente querendo ser lida e gente querendo falar e ouvir falar de livros. O que o evento oferece, então, é justamente a possibilidade do encontro e das descobertas daqueles e daquelas que fazem da literatura um modo permanente de vida e de sonho.

Quem, como eu, já tentou “emplacar” uma festa literária em seu município, sabe das dificuldades e do desafio que um evento desse porte representa. E mais: dificilmente o resultado financeiro atinge o lucro. Quando muito, empata, ou seja, o valor dos recursos disponíveis é apenas suficiente para dar conta das inúmeras despesas. Quando isso acontece, é motivo de festa. No caso da FLIMA, o acesso aos editais de fomento cultural provenientes do governo do Estado e do governo federal são fundamentais para garantir a qualidade e a robustez do evento.

O que vale a pena mesmo, para quem organiza um evento literário de qualquer porte, é testemunhar o encontro entre leitores e autores, a participação das crianças das escolas públicas nas rodadas de contação de histórias, o encanto das pessoas surpreendidas na calçada por uma artista sentada em uma cadeira de praia, em plena Serra da Mantiqueira, segurando uma sombrinha colorida e perguntando, à surpresa: “quer que eu te conte uma história?”. Ao lado, uma outra cadeira, esta vazia, também colorida, nos convida a interromper por alguns minutos as urgências do dia para olhar e ouvir alguém que, simplesmente, nos conta uma história – uma lenda, um conto, um poema… Ali, olho no olho, sorriso aberto e as montanhas da serra por testemunha.
Uma festa literária é isso mesmo que o nome diz: uma festa. E festa requer convidados, alegria, presentes, coisas coloridas e música – justamente o que a FLIMA promete, trazendo uma programação de espetáculos marcada pela brasilidade de uma Juliana Linhares, essa potiguar de voz marcante que traz, em seu repertório, verdadeiras pérolas do novíssimo cancioneiro popular nordestino, como a lindíssima “Bolero de Isabel”, do paraibano Jessier Quirino, num espetáculo que empresta um verso do cearense Belchior: “Nordeste Ficção”. Mas tem mais, tem muito mais… Música e literatura são irmãs gêmeas que não se desgrudam.

Há muito o que festejar, portanto. E muito o que curtir nesses quatro dias de puro encantamento, quando os livros ganham vida e tornam ainda mais fascinante a atmosfera mágica da Serra da Mantiqueira paulista nesta temporada de outono-inverno, que promete transformar a região em um cenário de sonho e criatividade.

Para um país que precisa tanto da Cultura para se reencontrar e encontrar de vez o caminho da civilidade, da inteligência e da liberdade, a FLIMA é, antes de tudo, motivo de alegria e esperança.
Nos vemos de 15 a 18 de maio, então, em Santo Antônio do Pinhal, que legitimamente pede espaço para se constituir na novíssima Capital Brasileira da Literatura.

 

Benilson Toniolo
foi Secretário Municipal de Cultura
de  Campos do Jordão é escritor premiado
e membro de diversas academias de letras

 

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