Governo Federal resgata 32 pessoas que estavam na Cisjordânia

Operação envolveu aluguel de ônibus, articulação com autoridades palestinas, israelenses e da Jordânia. Estimativa é de que o voo de repatriação decole de Amã, na Jordânia, ainda nesta quarta-feira.

Grupo de brasileiros em Jericó, onde fizeram os trâmites de imigração antes de cruzar a fronteira com a Jordânia. Foto: Representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia
Grupo de brasileiros em Jericó, onde fizeram os trâmites de imigração antes de cruzar a fronteira com a Jordânia. Foto: Representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia

Um novo e complexo capítulo da Operação Voltando em Paz, para repatriar brasileiros na zona de conflito no Oriente Médio, ocorreu na manhã desta quarta-feira, 1 de novembro, na Cisjordânia. A Representação Brasileira em Ramala organizou uma operação de resgate de 32 pessoas de 12 famílias que manifestavam interesse na repatriação. São 12 homens, 9 mulheres e 11 crianças. No grupo, seis idosos. São 30 brasileiros, uma jordaniana e um palestino, ambos casados com brasileiros.

Segundo o embaixador Alessandro Candeas, três veículos, entre ônibus e vans alugados pela representação do Brasil, conduziram os passageiros de 11 cidades da Cisjordânia até a cidade de Jericó.

“Os veículos foram identificados com a bandeira do Brasil. Para fins de segurança, as placas, trajetos e listas de passageiros foram informados às autoridades da Palestina e de Israel”, explicou Candeas. A medida é essencial para evitar bombardeios no trajeto.

Em Jericó, todos fizeram os trâmites migratórios. Dali, partiram para o cruzamento da fronteira com a Jordânia. Na sequência, embarcaram em outro ônibus fretado pelo Governo Brasileiro para direcionar a caravana até Amã, capital da Jordânia. Um deslocamento de pouco mais de uma hora.

No Aeroporto Internacional Marka, em Amã, os brasileiros serão embarcados numa aeronave da Presidência da República que já está posicionada lá. O voo terá como destino a Base Aérea de Brasília. O destino final das pessoas repatriadas será Foz do Iguaçu (oito), São Paulo (cinco), Florianópolis (quatro), Recife (três), Rio de Janeiro (três), Fortaleza (três), Curitiba (dois), Goiânia (dois), Brasília (dois) e Porto Alegre (um).

1.445 PASSAGEIROS – Quando esse voo for concluído, a operação Voltando em Paz do Governo Federal terá garantido o retorno seguro de 1.445 passageiros, em oito voos vindos de Israel e um da Jordânia, todos comandados pela Força Aérea Brasileira (FAB). No total, são 1.440 brasileiros, três bolivianas, uma jordaniana e um palestino, além de 53 animais de estimação.

GAZA – Na Faixa de Gaza, região que não tem fronteira com a Cisjordânia, outro grupo de 34 brasileiros ainda aguarda a autorização para cruzar a fronteira com o Egito, único caminho viável para tomar outro voo da FAB, desta vez partindo do Cairo rumo ao Brasil. Nesta quarta-feira, a fronteira foi aberta pela primeira vez desde o início do conflito para a saída de palestinos feridos e de um grupo de cerca de 450 estrangeiros. Nessa primeira lista estão nacionais de Austrália, Áustria, Bulgária, Finlândia, Indonésia, Jordânia, Japão, República Tcheca, profissionais da Cruz Vermelha e de ONGs. “Novas listas serão publicadas em breve e nossos brasileiros devem estar nelas”, afirmou o embaixador Candeas.

A diplomacia brasileira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguem diretamente envolvidos em tratativas para garantir ajuda humanitária na região, por negociar um cessar-fogo e para possibilitar a abertura da fronteira para o retorno dos brasileiros. O Brasil presidiu em outubro o Conselho de Segurança da ONU e atuou de forma reiterada para tentar aprovar uma resolução consensual que ajude a levar ao diálogo e à paz na região.

Desde o início do conflito, em 7 de outubro, o presidente Lula já teve diálogos por telefone com dirigentes dos Emirados Árabes Unidos, de Israel, da Palestina, do Egito, da França, da Rússia, da Turquia, do Irã, do Catar e do Conselho Europeu. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se envolveu em diálogos com os chanceleres de Israel e Egito.

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