De tempos em tempos surge uma ideia curiosa no debate sobre turismo: a de que certos destinos já seriam tão fortes que praticamente não precisariam mais de mídia ou divulgação.
Talvez isso até pareça fazer sentido num primeiro olhar. Afinal, existem cidades que carregam uma marca construída ao longo de décadas. Lugares que já ocupam um espaço afetivo na memória das pessoas. Campos do Jordão certamente é um deles.
Mas o turismo mudou muito.
Hoje, destinos não disputam apenas visitantes. Disputam atenção. E atenção se tornou um dos ativos mais valiosos do mundo contemporâneo.
Enquanto alguém pensa em viajar, dezenas de outros lugares aparecem em sua tela oferecendo experiências, imagens, festivais, gastronomia, hospedagem, natureza, aventura e novidades. O turista é impactado o tempo inteiro. E é justamente nesse cenário que a comunicação deixa de ser apenas divulgação e passa a fazer parte da própria dinâmica do turismo.
Porque mídia não serve apenas para “tornar conhecido”. Em muitos casos, serve para manter vivo o interesse.
Serve para mostrar que uma cidade continua pulsando. Que novos eventos surgem. Que experiências se renovam. Que existem histórias acontecendo além daquilo que todo mundo já conhece.
No caso de Campos do Jordão, talvez um dos maiores desafios seja exatamente esse: evitar que a cidade seja reduzida a uma imagem antiga e limitada de si mesma.
Quem vive o cotidiano jordanense sabe que existe muito mais acontecendo do que o visitante imagina. Há cultura, gastronomia, natureza, empreendedorismo, eventos, novos negócios, arte, esportes, experiências e uma cidade que funciona o ano inteiro.
Basta observar o que vem sendo construído nos últimos anos. O surgimento do CARDE – Arte, Design, Museu ampliou o repertório cultural da cidade e trouxe um equipamento turístico de padrão internacional. A tradicional Casa da Xilogravura continua sendo um dos espaços culturais mais autênticos e singulares da Serra da Mantiqueira. Festivais como o Arte no Outono ajudam a mostrar que Campos do Jordão vai muito além da temporada de inverno, criando novas conexões entre música, arte, natureza e experiência.
Mas existe um detalhe importante: todos esses exemplos dependem de comunicação para permanecerem vivos no imaginário das pessoas.
Vale para a cidade. Vale para os empreendimentos.
Nenhum museu se mantém atraente apenas porque um dia foi inaugurado. Nenhum festival cresce apenas porque teve uma edição bem-sucedida. Nenhum restaurante, parque, hotel ou atrativo permanece desejado apenas pela memória construída no passado.
É preciso continuar contando histórias. Mostrar novidades. Renovar percepções. Criar conversa. Permanecer presente.
E isso talvez seja uma das grandes transformações do turismo contemporâneo: hoje, experiência e comunicação caminham juntas.
Os grandes destinos turísticos do mundo entenderam isso faz tempo. Eles não se comunicam porque são fracos. Se comunicam justamente para continuar relevantes.
No turismo, a ausência de narrativa quase nunca gera neutralidade. Normalmente gera esquecimento gradual.
E talvez exista um detalhe ainda mais importante: quando um destino aparece de forma positiva e constante, toda a cadeia turística se beneficia. Não apenas hotéis ou grandes eventos, mas também restaurantes, pequenos empreendedores, comércio, atrativos, produtores locais e profissionais que dependem direta ou indiretamente do movimento da cidade.
No fim, comunicação turística não é apenas falar sobre uma cidade.
É manter acesa a vontade de vivê-la.
Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão


