PM aponta adegas como foco de homicídios no Vale do Paraíba, Mantiqueira e Litoral Norte

Mais de 60% dos assassinatos registrados no ano passado ocorreram dentro ou nas imediações desses estabelecimentos, segundo a Polícia Militar.

Durante entrevista coletiva das forças de segurança da região, o comandante da Polícia Militar no Vale do Paraíba e Serra Norte, Cel. Luiz Fernando Alves, chamou a atenção para o que classificou como “interligação preocupante” entre homicídios e o funcionamento de adegas, especialmente no período noturno e na madrugada.

De acordo com dados apresentados pela Polícia Civil no mesmo evento, o número de homicídios na região apresentou queda nos últimos três anos: foram 308 casos em 2023, 283 em 2024 e 266 no ano passado (2025).

Apesar da redução gradual, a PM avalia que o cenário ainda exige atenção, principalmente em relação a determinados pontos comerciais.

Concentração dos crimes

Segundo o comandante, mais de 60% dos homicídios registrados no último ano ocorreram dentro de adegas ou em suas proximidades.

Ele detalhou que:

  • 10% dos homicídios aconteceram dentro desses estabelecimentos;
  • 52% ocorreram em um raio de até 300 metros de uma adega, principalmente no período da noite e madrugada.

“Se a gente olhar as ocorrências acontecidas em adegas, observa essa interligação hoje com essas adegas e horários, porte ilegal de arma, tráfico, lavagem de dinheiro, em ambientes que acontecem sem controle de fiscalização. Essa interligação é muito ruim. Embora distante da adega, o marginal que morreu ou que matou estava dentro desta localidade”, afirmou o coronel.

Fiscalização e combate integrado

A Polícia Militar defende ações mais rigorosas de fiscalização nesses estabelecimentos, sobretudo em relação ao horário de funcionamento, venda de bebidas alcoólicas durante a madrugada e possíveis irregularidades administrativas.

O entendimento das forças de segurança é de que a atuação integrada entre Polícia Militar, Polícia Civil, prefeituras e órgãos de fiscalização pode contribuir para reduzir ainda mais os índices de violência na região.

Mesmo com a queda nos números gerais de homicídios, o foco agora, segundo a PM, é atacar os pontos de maior incidência para evitar novos casos e consolidar a tendência de redução nos próximos anos.

 

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