Trump não é apenas um político controverso. Ele é o retrato nu de um tempo onde se desaprende a sentir vergonha.
Trump não representa uma ideia. Representa um colapso.
Não governa uma nação, desorganiza relações.
Não lidera pessoas, estimula impulsos.
Não constrói poder, erode o chão onde o poder legitimo deveria se sustentar.
O erro mais grave não foi elegê-lo.
O erro é tolerá-lo como se fosse normal.
Trump transformou,
a mentira em método,
a grosseria em virtude,
a ignorância em sinal de autenticidade.
Ele ensinou que,
pensar é fraqueza,
duvidar é traição,
humilhar o outro é prova de força.
Onde queres, o que é?
Onde deveria haver linguagem, instalou ruído.
Onde deveria haver responsabilidade, plantou cinismo.
Não é estilo.
É violência política.
Trump não destrói a democracia com tanques. Ele a corrói com gargalhadas, insultos e desprezo.
Não silencia, ensurdece.
Não censura, desmoraliza.
Não proíbe, ridiculariza.
E quando tudo vira piada, nada mais obriga.
É uma gestão de podcast, do “Nada importa”. E quando nada importa, qualquer coisa é permitida.
Trump não quer cidadãos, quer torcida.
Não quer debate, quer lealdade de antolhos.
Não quer verdade, quer submissão emocional.
Governa pelo medo, pela raiva e pelo ressentimento. Dá às pessoas a ilusão de poder enquanto rouba delas a capacidade de pensar. Oferece pertencimento em troca de ódio. Dá identidade em troca de obediência.
Isso não é liberdade.
Isso é servidão com aplausos!
Sua incompetência não é acidente. É projeto.
Mas planejar exige limites. Governar exige escuta! Muita escuta, já disse outro dia meu amigo Max Alvim.
Democracia é também autocontenção. Trump, a exemplo de outros politicos, das mais variadas tendencias, precisa do caos para existir.
Onde há estabilidade, eles perdem palco.
Onde há silêncio institucional, eles perdem relevância.
Então gritam, ameaçam e dividem.
O maior crime de Trump não é uma política específica, um escândalo ou uma frase grotesca.
O maior crime é o que ele propaga:
que humilhar é liderar,
que mentir é estratégia,
que ameaçar é negociar,
que dividir é unir e
que destruir é agir.
A pedagogia da barbárie.
Ele é prova de que uma democracia pode morrer sem perceber que está morrendo, não por golpe, mas por exaustão moral.
Morre quando a brutalidade vira entretenimento.
Quando a ignorância vira orgulho. Quando o poder deixa de exigir dignidade.
Ele não é apenas indigno do cargo que ocupou. É o símbolo do que acontece quando uma sociedade aceita o inaceitável e trata com normalidade, coisa autentica.
Trump não é sequer a frustração de qualquer futuro.
A mosca na sopa.
Ele é o aviso!
O aviso de que, quando a política abandona a razão, a ética e o respeito ao bem comum, o que sobra não é força.
É ruína.

Júlio Kok Carvalho é advogado, empresário, amante da natureza,
de Campos do Jordão e das coisas boas da vida.


