Uma startup instalada em São José dos Campos alcançou um feito inédito para o setor aeroespacial brasileiro. A Bizu Space lançou o FTL-Perseu, apontado como o primeiro foguete nacional impulsionado exclusivamente por propulsão líquida desde a decolagem.
O voo inaugural ocorreu no dia 29 de maio, no município de Virgínia, no Sul de Minas Gerais, durante a missão batizada de “Trem Baum”. A operação foi realizada com quantidade reduzida de propelentes e alcançou 1.272 metros de altitude. Após o voo, o foguete foi recuperado com sucesso por meio de paraquedas e equipamentos de rastreamento.

O veículo possui aproximadamente 4,5 metros de comprimento e pesa cerca de 70 quilos quando está completamente abastecido. O sistema utiliza peróxido de hidrogênio concentrado como oxidante e querosene de aviação como combustível.
Tecnologia desenvolvida em São José dos Campos
O FTL-Perseu foi desenvolvido pela Bizu Space, startup formada por profissionais de diferentes áreas da engenharia. Os fundadores da empresa se conheceram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das instituições que fazem de São José dos Campos um dos principais polos aeroespaciais do país.
Atualmente, a equipe reúne 14 profissionais das áreas de engenharia aeroespacial, aeronáutica, química, mecânica e eletrônica.
Parte importante do desenvolvimento foi realizada no Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), onde uma parceria entre a indústria e a academia permitiu a construção de um campo privado de testes. A estrutura reúne central de controle, laboratório de química e banco de ensaios.
Antes do lançamento, os engenheiros realizaram 61 simulações ao longo de aproximadamente um ano.
Maior controle durante o voo
A principal diferença entre a propulsão líquida e os motores sólidos está na possibilidade de controlar com mais precisão o funcionamento do foguete. Nesse sistema, o combustível e o oxidante permanecem armazenados separadamente e são inseridos no veículo apenas próximo ao lançamento.
A tecnologia também permite controlar, interromper e reiniciar o funcionamento do motor durante o voo. Essas características são importantes em missões que exigem maior precisão, como a colocação de satélites em órbita e a realização de manobras espaciais.
O FTL-Perseu foi projetado para atingir aproximadamente 10 mil metros de altitude. O primeiro lançamento, no entanto, foi realizado em condições mais conservadoras para validar os sistemas do veículo.
Próximo passo é chegar ao espaço
A Bizu Space também participa do desenvolvimento do Microlançador Brasileiro, projeto apoiado pela Agência Espacial Brasileira e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A iniciativa pretende desenvolver um foguete nacional capaz de colocar pequenos satélites em órbita.
A expectativa é que o primeiro lançamento do Microlançador Brasileiro ocorra a partir de 2027, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
O avanço do FTL-Perseu reforça a importância do ecossistema tecnológico de São José dos Campos, que reúne instituições de ensino, centros de pesquisa e empresas especializadas. O projeto também mostra como o conhecimento desenvolvido no Vale do Paraíba pode contribuir para ampliar a autonomia brasileira no acesso ao espaço.


