Turnê de Marcelo Bratke e Camerata Brasil revela os clássicos que todo brasileiro deveria conhecer

Concertos em Campos do Jordão, São Paulo, Araras, Araraquara, e Mogi das Cruzes têm como cenário imagens criadas pela artista Mariannita Luzzati.

Desmistificar a música clássica revelando as suas raízes na música popular e imprimir imagens às notas musicais. Quando Ernesto Nazareth e Heitor Villa-Lobos trouxeram a diversidade da cultura brasileira para as suas composições, eles entraram para a história e se tornaram conhecidos em todo o mundo. A música brasileira ganhou uma nova cara e o caminho foi aberto para os compositores que vieram a seguir, como Dorival Caymmi e Tom Jobim, que também alcançaram reconhecimento internacional.

O projeto “Marcelo Bratke e Camerata Brasil – Clássicos Brasileiros” pretende revelar ao público o nosso país que foi idealizado por eles em uma série de 10 concertos públicos e 10 concertos didáticos gratuitos em 10 cidades brasileiras. O projeto que traz os clássicos que todo o brasileiro deveria conhecer ainda tem como proposta educacional a realização de 10 ensaios pedagógicos e de 10 conferências sobre música. Um total de 40 ações culturais.

Marcelo Bratke criou a Camerata Brasil em 2007, em Vitória, no Espírito Santo. A ideia era formar jovens sem a fronteira que separa a música clássica da música popular. Através da arte, ele passou a pensar no desenvolvimento social e a dar oportunidades para que os estudantes tivessem uma chance de aprimoramento profissional a partir de regiões vulneráveis. Deu tão certo que juntos eles realizaram turnês não apenas no Brasil, como na Argentina, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Sérvia, Bósnia, Coréia do Sul, Japão e Estados Unidos.

Percorrendo os caminhos antes desbravados por estes compositores brasileiros, o pianista Marcelo Bratke e a Camerata Brasil chegaram ao Carnegie Hall, em Nova York. E receberam elogios do crítico do jornal “The New York Times”, Allan Kozinn: “A interação de Marcelo Bratke com estes jovens músicos deu vida nova à obra de Villa-Lobos.”

“São pessoas que vêm de realidades completamente diferentes e desse esforço nasce uma relação pessoal, nasce uma amizade, um intercâmbio cultural onde não só eles aprendem, mas eu aprendo com eles. Eles têm uma riqueza enorme para me passar”, conta Marcelo Bratke.

Os concertos terão ainda como cenário uma videoinstalação com imagens criadas por Mariannita Luzzati. A artista plástica reconhecida e premiada internacionalmente busca estabelecer relações entre a natureza brasileira e as obras musicais, proporcionando uma atmosfera única para reflexão. A ideia de casamento perfeito entre música e imagem tem como objetivo despertar no público a conscientização ambiental e as cenas são cuidadosamente projetadas.

“Esse filme tem um tempo que é o tempo da música, então ele é muito lento porque quando você tem a música como elemento principal de um espetáculo, o filme não pode interferir na música . Ele procura ter aquele espaço de tempo da música”, explica Mariannita Luzzati.

Essa será a primeira turnê depois da pandemia. O percussionista da Camerata Brasil, Whisley Madeira, conta que é como se fosse um processo terapêutico que vai além da oportunidade de elevar o seu nível musical. O público reage a esse estímulo musical, visual e social.

“Muitas das vezes as pessoas estão com lágrimas nos olhos, outras estão com a mão no peito. As pessoas vêm falar o quanto determinada canção fez lembrar do passado e fez lembrar de uma memória afetiva. Isso é muito gratificante pra mim”, diz Whisley.

No palco, cada um estará vivendo a sua própria história de superação. E Marcelo Bratke também tem a sua. Com problemas de visão que só foram superados com uma cirurgia aos 44 anos, ele encontrou na música uma forma de expressão, mas principalmente a sua maneira de ver o mundo. As mãos que hoje tocam o piano são as mesmas que batucavam os ritmos que Whisley irá apresentar. Marcelo Bratke lembra que adorava batucar nos postes de lata dos pontos de ônibus com o primo, em São Paulo, quando era criança.

“A música para mim não sou eu tocando simplesmente para as pessoas ouvirem, é como se eu fosse um canal para aproximar pessoas de realidades diferentes, umas das outras, elas comigo, elas entre elas. Desde o começo da minha carreira eu fazia isso em meus concertos, fazendo relações musicais entre compositores antagônicos para encontrar elos de ligação entre eles, como por exemplo Mozart e Webern, Gershwin e Villa-Lobos”, lembra Marcelo Bratke.

Os primeiros cinco concertos da série “Marcelo Bratke e Camerata Brasil – Clássicos Brasileiros” acontecem em dezembro no Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão, Sala Nydia Licia do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo, em Araras, Teatro do SESI, em Araraquara e Mogi das Cruzes. A programação é grátis.

Entre as obras mais famosas que serão apresentadas por Marcelo Bratke e a Camerata Brasil estão: “Trenzinho Caipira”, de Villa-Lobos, “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth, “É Doce Morrer no Mar”, de Dorival Caymmi, e “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, que terá arranjo especial para piano e percussão capixaba.

Segundo Marcelo Bratke, os quatro compositores são um resumo da história da Camerata Brasil. Uma linha do tempo que nasce em Ernesto Nazareth, passa por Villa-Lobos, vai para Dorival Caymmi e Tom Jobim.

“Villa-Lobos foi o pai de todos os compositores. Ernesto Nazareth era um compositor naif, mas que era inspirado pela música clássica, ou seja, compositores eruditos com alma popular. E vai para os compositores populares com espírito erudito, que são justamente Dorival Caymmi e Tom Jobim. Caymmi ouvia insistentemente Debussy, ele adorava música clássica. E Tom Jobim queria ser pianista profissional, concertista”, afirma Marcelo Bratke, já dando uma ideia da verdadeira aula magna que será essa série de concertos.

MARCELO BRATKE E CAMERATA BRASIL – CLÁSSICOS BRASILEIROS

Regência e Piano: Marcelo Bratke

Violino: Sérgio Elias
Violoncelo: Daniel Enache
Flauta: Gabriela Deps
Clarinete: Franciany Mairink
Percussão: Whisley Madeira

Violino em Campos do Jordão: Tiago Paganini

02/12 (sábado)
Campos do Jordão
Auditório Claudio Santoro – Grátis
Av. Dr. Luis Arrobas Martins, 1880 – Alto Boa Vista – Campos do Jordão/SP
15h – Ensaio Aberto
20h – concerto

04/12 (segunda-feira)
São Paulo
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Nydia Licia – Grátis

Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP
15h – Ensaio Aberto
20h30 – concerto

06/12 (quarta-feira)
Araras
Teatro Estadual de Araras Maestro Francisco Paulo Russo – Grátis

Avenida Dona Renata, 4901 – Centro – Araras/SP
16h – Ensaio Aberto
19h – concerto

07/12 (quinta-feira)
Araraquara
Teatro do SESI – Grátis

Av. Octaviano de Arruda Campos, 686 – Jardim Floridiana – Araraquara/SP
16h – Ensaio Aberto
19h – concerto

08/12 (sexta-feira)
Mogi das Cruzes
Teatro do SESI – Grátis
Rua Valmet, 171 – Brás Cubas – Mogi das Cruzes/SP
15h – Ensaio Aberto
19h – concerto

PROGRAMA

Heitor Villa-Lobos
Trenzinho do Caipira
Cirandinhas
Samba Lê Lê
Có Có Có
No Fundo do meu Quintal
A Maré Encheu

Ernesto Nazareth
Coração que Sente
Ameno Resedá
Brejeiro
Fon Fon

Dorival Caymmi
O Vento
Rosa Morena
O Bem do Mar
Canção da Partida
Promessa de Pescador
É Doce Morrer no Mar
Acalanto
Oração de Mãe Menininha

Tom Jobim
Estrada Branca
Luiza (piano solo)
Garota de Ipanema (piano e percussão Capixaba)
Samba do Avião
Stone Flower

Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura, Brasil, União e Reconstrução – Governo Federal.
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Realização: Yoyogi Produções Artísticas
Produção: ArteMatriz Soluções Culturais

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