Um abraço a Pedro Paulo Filho

Por Benilson Toniolo

Pindamonhangaba, 4 de setembro de 1937. Há oitenta e seis anos vinha ao mundo, filho do casal proveniente do Líbano, dona Izabel e “seo” Pedro Paulo, um menino franzino, miúdo, de olhos grandes e destinado a passar sua vida no alto da serra, entre livros e histórias: nascia Pedro Paulo Filho, o “Pedrinho de Campos do Jordão”.

Advogado de formação, de reconhecida militância e ator principal de alguns dos mais notáveis casos da justiça jordanense e paulista, Pedro Paulo Filho dedicou parte de sua extensa obra literária ao Direito, publicando livros que até hoje são referência entre advogados de todo o país. Como se não bastasse toda a sua trajetória nos tribunais, foi citado pelo jurista Saulo Ramos – ex-consultor da República e ex-Ministro da Justiça, um dos autores do processo de impeachment do presidente Fernando Collor – em seu livro “Código da Vida”, escrito em 2007.

A outra parte relevante de sua vida intelectual, ele dedicou à pesquisa e à escrita. Mas não a qualquer pesquisa, não a qualquer escrita: a parte mais importante de sua obra ele dedicou a Campos do Jordão. Primeiro pela poesia – e ele não foi um grande poeta. “Campos do Jordão, Meu Amor” foi sua única produção em versos, marcada muito mais pelos superlativos e pela afetividade explícita do que pela elaboração técnica dos poemas. É um bom livro, claro está, mas não é o melhor do autor.

O melhor de Pedro Paulo Filho escritor, memorialista, pesquisador e historiador está presente no hercúleo trabalho de cunho histórico que protagonizou, reunindo informações e documentos que transformou em dados que foi buscar em repartições públicas, publicações antigas, atas e registros não só em Campos do Jordão como em outros municípios que somou a centenas de entrevistas que realizou para construir um arquivo robusto e consistente, até então inédito e incomparável.

Tudo somado, organizou o material que estava disperso, publicado pelos que o antecederam e generosamente ofereceu, a toda a Cidade, o precioso “História de Campos do Jordão”, obra que inaugura nossa historiografia de forma minimamente organizada.

Além disso, escreveu um número incontável de crônicas, trouxe à luz as nossas lendas e crendices, publicou artigos, cobrou providências, defendeu causas públicas, levantou a voz para defender os interesses de sua terra e sua gente.

Pedrinho presidiu entidades, organizou e participou de debates históricos, iniciou a ideia de um “pensamento jordanense” e deixou, como legado, uma obra indispensável que serve, e servirá por muitos anos, de referência para todos os que pretendem se dedicar a continuar contando essa história fantástica, de um lugarejo distante e bucólico no alto de uma montanha, criado para servir de cura e esperança a todos os brasileiros e que acabou por se transformar no maior destino de turismo de inverno do hemisfério sul.

Pedrinho nos deixou no dia do 100º aniversário da Estrada de Ferro que ele tanto amou: 14 de novembro de 2014. Por tudo isso, e pela importância de seu trabalho e sua contribuição histórica hoje é dia de celebrar a vida, a obra e a memória de Pedro Paulo Filho, o Pedrinho de Campos do Jordão, sinônimo de amor e dedicação a esta Montanha Magnífica, como ele tanto gostava de nominar.

Feliz aniversário, mestre!

Que tal um teatro? 37ª Edição do Festivale continua durante toda semana

Holi – Festival das Cores 2023 “ilumina” a Fazenda Nova Gokula com música e espiritualidade