Vacinas contra câncer podem chegar antes de 2030

Vacinas contra o câncer poderão estar disponíveis até 2030, segundo anunciaram Uğur Şahin e Özlem Türeci, casal de cofundadores da farmacêutica alemã BioNTech, no último dia 16 de outubro.

Em uma entrevista à BBC, os fundadores da companhia alemã BioNTech afirmaram que vacinas contra o câncer podem chegar à população mundial antes do fim de 2030. A empresa está desenvolvendo vacinas com a tecnologia de mRNA, assim como já são feitas algumas vacinas contra o coronavírus.

A empresa foi fundada em 2008 e, desde 2018, está desenvolvendo vacinas usando o mRNA. Em 2020, logo após o surto causado pelo coronavírus, a BioNTech começou a produzir quase exclusivamente vacinas contra a covid-19 em uma parceria com a Pfizer.

Assim como a tecnologia da vacina contra o coronavírus, a equipe da companhia está usando o mRNA para enviar instruções para as células do corpo humano. No caso do coronavírus, as instruções são enviadas para lançar uma resposta contra o vírus, mas para combater o câncer são enviadas instruções para identificar as proteínas nas células cancerígenas e destruí-las.

TECNOLOGIA mRNA

A BioNTech já estava trabalhando na criação de vacinas de mRNA contra o câncer bem antes da pandemia de Covid-19. Türeci disse que as experiências dela e de Şahin, atuando em enfermarias com jovens médicos, frustrados por serem incapazes de oferecer tratamento a pacientes oncológicos, os levaram a trabalhar nesse ramo de pesquisa.

Mas a empresa mudou por um tempo de foco e resolveu fabricar imunizantes com o objetivo de conter a transmissão do Sars-CoV-2 diante da emergência global, realizando uma parceria com a Pfizer. A partir disso, a BioNTech também investiu em programas de vacinas de mRNA para tratar doenças como malária, tuberculose e HIV, especialmente em países de baixa renda.

A companhia alemã desenvolveu as vacinas de mRNA mais rapidamente durante a pandemia e teve uma melhor compreensão de como o sistema imunológico das pessoas respondeu à molécula. O lançamento da vacina contra Covid-19 ajudou os reguladores de medicamentos a aprovar imunizantes. “Isso definitivamente acelerará também nossa vacina contra o câncer”, afirmou a pesquisadora.

Uma vacina de mRNA contra Covid-19 transporta as instruções genéticas para fabricar versões inofensivas das proteínas spike do vírus, cuja função é ajudá-lo a entrar nas células. Essas proteínas, ou antígenos, dizem o que procurar e atacar aos anticorpos do sistema imunológico e a outras defesas do corpo.

A mesma abordagem pode ser adotada para preparar o sistema imunológico do paciente para procurar e destruir células cancerígenas, de acordo com Türeci. Em vez de carregar o código que identifica um vírus, a vacina contra o câncer contém instruções genéticas para romper proteínas que cravam as superfícies das células tumorais.

A BioNTech informa que alcançou uma série de avanços para melhorar o potencial do mRNA na vacina contra o câncer. Por exemplo, eles trabalharam na descoberta de componentes estruturais que aumentaram a estabilidade intracelular da molécula e sua eficiência de tradução. Ao combinar os elementos melhorados, estima-se que a expressão da proteína pode ser aumentada em mais de mil vezes. Com isso, a BioNTech espera desenvolver tratamentos para câncer de intestino, pele, pulmão, cabeça e pescoço, próstata, ovários e outros tipos de tumores.

Algumas das vacinas já estão na Fase 2 dos testes e, se os reguladores usarem os mesmos processos de autorização das vacinas contra a covid-19, é esperado que as novas opções de combate ao câncer cheguem aos pacientes antes de 2030.

Özlem Türeci, diz que não tem certeza de que sua empresa encontrou a cura para o câncer, mas afirma que a novidade será importante para ajudar a realizar mais avanços na área. “Sim, nós sentimos que a cura para o câncer, ou para mudar a vida dos pacientes com câncer, está bem mais próxima”, afirmou.

Já Sahin explica que, após a cirurgia de remoção de tumores, a ideia é que os pacientes com câncer recebam uma vacina personalizada e individualizada. Uma resposta será induzida para que as células T (células com funções imunológicas) no corpo da pessoa possam rastrear as células tumorais restantes e eliminá-las.

BARREIRAS NO CAMINHO

Mas há ainda obstáculos pela frente: as células cancerígenas que compõem os tumores podem estar adornadas com uma grande variedade de proteínas diferentes, tornando extremamente difícil fazer uma vacina que atinja todas as células cancerígenas e nenhum tecido saudável.

Por enquanto, os programas terapêuticos oncológicos da empresa já trataram mais de 800 pacientes com mais de 20 tipos de tumores sólidos. Além disso, 15 candidatos a produtos oncológicos estão sendo investigados em 18 ensaios clínicos.

Türeci contou que ainda não se sabe como os médicos usariam outros tipos de intervenções médicas em combinação com a vacina, mas as pesquisas continuarão. “Temos vários avanços e continuaremos trabalhando neles”, ela reitera. Estamos torcendo muito.

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