O voto consciente não termina na urna. Por: Leandro Cesar

Você se lembra em quem votou para deputado nas últimas eleições?

Faço essa pergunta com respeito, porque ela não serve para constranger ninguém. Serve para provocar uma reflexão necessária. Se você não se lembra, saiba que não está sozinho. Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores brasileiros também não se recorda em quem votou para deputado em 2022.

Para mim, isso revela algo muito sério: existe uma distância enorme entre muitos parlamentares e a vida real dos municípios.

E é no município que a política acontece de verdade. É na cidade que a pessoa espera atendimento na saúde, leva o filho para a escola, procura uma vaga na creche, precisa de segurança, de esporte, de cultura, de lazer, de oportunidades. É aqui que os problemas aparecem primeiro. É aqui que as soluções precisam chegar.

Por isso, quando um eleitor não lembra em quem votou, eu não coloco a culpa nele. Não acho justo dizer simplesmente que o cidadão não se interessa por política. Muitas vezes, o que falta é presença. Falta o parlamentar voltar, ouvir, prestar contas, caminhar pelas instituições, conversar com quem está na ponta, entender a realidade de cada bairro e de cada cidade.

Deputado não pode ser alguém que aparece apenas em época de eleição. Representar é muito mais do que receber voto. Representar é estar presente antes, durante e depois do mandato. É conhecer a cidade, suas necessidades, suas vocações e suas urgências.

Também me preocupa saber que muitos eleitores ainda não compreendem exatamente qual é a função de um deputado. Mas, novamente, essa responsabilidade não pode ser jogada apenas nas costas da população. Quem ocupa ou pretende ocupar um espaço público precisa ajudar a aproximar as pessoas da política, com linguagem simples, presença constante e compromisso verdadeiro.

Sempre me vem à memória uma frase atribuída a Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Na política, esse silêncio também machuca. Machuca quando pessoas boas se afastam. Machuca quando a população deixa de acreditar. Machuca quando a representação vira ausência. Machuca quando o voto termina no domingo da eleição e ninguém mais fala sobre o que foi prometido, feito ou deixado de fazer.

Eu acredito que o voto consciente começa antes das eleições, mas continua depois dela.

Continua quando o cidadão acompanha. Continua quando cobra. Continua quando participa. E continua, principalmente, quando o representante entende que mandato não é distância, é presença.

A política precisa voltar a olhar para os municípios. Porque é nas cidades que a vida acontece. E é nelas que a boa representação precisa estar.

 

Leandro Cesar é advogado, vice-prefeito de Campos do Jordão e ex-presidente da Câmara Municipal. Atua em pautas ligadas ao desenvolvimento regional, turismo, infraestrutura e fortalecimento dos municípios do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte.

 

 

3º ProConecta Summit reforça protagonismo da economia criativa e da inovação no Vale do Paraíba

Quando o jordanense “lagarteia”. Por: Benilson Toniolo