Com a Copa do Mundo já em andamento e concentrando a atenção de milhões de torcedores, as apostas esportivas voltam ao centro das discussões econômicas. O aumento do volume de apostas durante grandes eventos esportivos ocorre em um momento de alerta para a saúde financeira dos brasileiros.
De acordo com estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as plataformas de apostas movimentaram mais de R$ 30 bilhões por mês entre janeiro de 2023 e março de 2026. No mesmo período, cerca de R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo brasileiro, enquanto aproximadamente 270 mil famílias podem ter migrado para situações de inadimplência severa em decorrência dos gastos com apostas.
Os números ganham ainda mais relevância em um cenário em que 81,6% das famílias brasileiras já se encontram endividadas, segundo dados da própria CNC.
Para Elder Campi, especialista em finanças e educação financeira, a Copa do Mundo cria um ambiente que combina emoção, exposição constante às plataformas de apostas e sensação de oportunidade de ganho rápido.
“A Copa é um evento que mobiliza emoções diariamente. O torcedor acompanha jogos, estatísticas e previsões o tempo todo. Nesse contexto, as apostas acabam sendo percebidas por muitos como uma forma de participação no espetáculo, mas é importante lembrar que elas representam uma despesa de entretenimento e não uma estratégia para aumentar renda.”
Segundo Campi, os dados apresentados pela CNC mostram que o impacto das apostas ultrapassa o universo esportivo e passa a influenciar diretamente o comportamento de consumo das famílias.
“Quando observamos um volume superior a R$ 30 bilhões por mês destinado às apostas, estamos falando de recursos que deixam de ser direcionados para consumo, reserva financeira ou pagamento de dívidas. Em um momento de Copa, quando a exposição a esse mercado cresce significativamente, o risco de decisões impulsivas também aumenta.”
O especialista destaca que o principal desafio está na repetição das apostas ao longo do torneio. “A Copa dura poucas semanas, mas oferece dezenas de oportunidades de aposta. Muitas pessoas enxergam valores pequenos como irrelevantes, porém a soma dessas apostas ao longo da competição pode comprometer o orçamento familiar, especialmente entre consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras.”
Para Elder Campi, o torneio pode servir também como um momento de conscientização financeira. “A paixão pelo futebol faz parte da cultura brasileira e deve ser celebrada. O importante é que a emoção do jogo não substitua o planejamento financeiro. A melhor vitória continua sendo chegar ao fim da Copa com as contas equilibradas e sem comprometer os objetivos financeiros da família.”

