Em dia de copa, conheça a relação entre Campos do Jordão e o Japão

A fase de “mata-mata” da Copa do Mundo 2026 inicia mais um capítulo nesta segunda-feira-feira, 29 de junho, com a estreia da seleção brasileira de futebol na fase eliminatória tendo à frente um velho conhecido de todos nós: o Japão.

A relação entre Campos do Jordão e o Japão nasceu de um dos maiores movimentos migratórios da história moderna. No início do século XX, em um cenário internacional marcado por transformações econômicas e sociais, o Japão passou a enviar parte de sua população para novos destinos, enquanto o Brasil vivia a expansão da produção cafeeira e necessitava de mão de obra – de maneira especial, o interior do estado de São Paulo. No nosso caso, mais especial ainda, o Vale do Paraíba.

A partir da chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos, em 1908, milhares de famílias japonesas vieram para o país em busca de novas oportunidades de trabalho e reconstrução de suas vidas, transformadas no Japão pela rápida evolução industrial, grande êxodo urbano, superlotação das cidades e esvaziamento das atividades no campo.

Já no Brasil, o fim do regime de escravidão exigia grande quantidade de mão-de-obra e imensas terras a serem ocupadas. Os asiáticos, assim, seguiram o exemplo dos europeus e resolveram apostar nas promessas e nas grandes possibilidades que a mudança de país possibilitava. 

Com dedicação, conhecimento agrícola e forte ligação com a terra, esses imigrantes contribuíram para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Aos poucos, muitos deles também chegaram às regiões serranas, onde encontraram condições favoráveis para novas culturas e novas oportunidades.

No alto da Mantiqueira, Campos do Jordão recebeu famílias japonesas que participaram ativamente da formação econômica e social do município. Sua contribuição foi especialmente importante para o desenvolvimento agrícola local, com destaque para a produção de hortaliças, flores e técnicas de cultivo adaptadas ao clima da serra.

Mas essa presença ultrapassou os limites da agricultura. A cultura japonesa passou a integrar a identidade jordanense, influenciando hábitos, gastronomia, paisagismo, práticas comunitárias e a própria forma de relacionamento com a natureza — um valor que dialoga profundamente com a vocação turística e ambiental de Campos do Jordão.

A presença japonesa no alto da serra é incontestável: desde o Tori, monumento instalado no centro de Abernéssia, a presença cor-de-rosa das cerejeiras contrastar no inverno com o verde das araucárias e o céu azul limpíssimo; a cinquentenária Festa da Cerejeira, tombada como  patrimônio imaterial municipal; os hábitos, as tradições e a gastronomia vindos do outro lado do mundo lembram a importantíssima contribuição nipônica na formação e desenvolvimento da cidade ao longo do tempo.

 

Essa história de aproximação ganhou um novo capítulo em 16 de outubro de 1967, quando o então prefeito interino Arakaki Masakazu sancionou o projeto de lei que consolidou a relação entre Campos do Jordão e Karuizawa, cidades-irmãs que compartilham características singulares: ambas são destinos de montanha, reconhecidos pela beleza natural, pelo clima diferenciado, pelo turismo e pelo equilíbrio entre desenvolvimento e preservação.

Duas cidades separadas por milhares de quilômetros, mas conectadas por uma mesma inspiração: transformar as montanhas em espaços de convivência, cultura, inovação e qualidade de vida.

Assim, enquanto o mundo acompanha mais uma grande partida da Copa do Mundo, Campos do Jordão tem uma oportunidade especial de celebrar uma relação que começou com a coragem de imigrantes, cresceu com o trabalho de gerações e hoje representa um exemplo de cooperação entre os povos.

Brasil e Japão se enfrentam no campo – mas, ao longo da história, construíram uma parceria que já dura mais de cem anos e que encontra, no coração da Serra da Mantiqueira, um dos seus símbolos mais significativos.

Quer saber mais? Leia:

– “Sayonará, E Já que Assim Deve Ser…”, Cecília Murayama (1988);

– “Sakurabana – Presença Japonesa na Mantiqueira”, Arakaki Masakazu (1988);

– “Cerejeira em Campos – a História da Imigração Japonesa em Campos do Jordão”, Pedro Paulo Filho (2008)

 

AMANA – AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO SUSTENTÁVEL DE CAMPOS DO JORDÃO E MANTIQUEIRA

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