A Eve Air Mobility, empresa apoiada pela Embraer e ligada ao polo aeronáutico de São José dos Campos, assinou um memorando de entendimento com a Hitachi Energy para desenvolver soluções de fornecimento e gerenciamento de energia destinadas à futura operação dos chamados “carros voadores”.
A parceria, anunciada na sexta-feira (17), representa mais uma etapa na preparação da estrutura necessária para a mobilidade aérea urbana. Além da fabricação e certificação das aeronaves elétricas, será preciso criar sistemas capazes de recarregá-las com rapidez e segurança entre os voos.
O trabalho conjunto deverá avaliar a disponibilidade de energia nos vertiportos — locais destinados ao pouso, à decolagem e ao embarque de passageiros —, a instalação de carregadores de alta potência e a integração dessa nova demanda às redes elétricas existentes.
A Hitachi Energy pretende adaptar para a aviação sua tecnologia Grid-eMotion, já empregada em sistemas de recarga elétrica de alta capacidade. A solução deverá ajudar a controlar o consumo de energia e manter o fornecimento estável durante operações com grande frequência de pousos e decolagens.
Outro ponto previsto no acordo é o estudo do reaproveitamento das baterias retiradas das aeronaves. Depois do fim da vida útil na aviação, esses equipamentos poderão ser utilizados em sistemas estacionários de armazenamento de energia.
Projeto reforça protagonismo regional
A Eve surgiu no ambiente de inovação da Embraer e mantém ligação direta com o polo aeronáutico do Vale do Paraíba. A parceria reforça a participação de empresas associadas à região em uma nova cadeia tecnológica, que poderá envolver aeronaves, carregadores, gerenciamento de tráfego, manutenção e infraestrutura em solo.
O comunicado, entretanto, não informa onde os equipamentos serão desenvolvidos ou instalados, nem apresenta valores de investimento. Também não confirma, neste momento, a geração de empregos ou a participação de fornecedores do Vale do Paraíba nas atividades relacionadas ao acordo.
A Eve trabalha com a previsão de obter a certificação e iniciar as operações comerciais de sua aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical, conhecida pela sigla eVTOL, em 2028.
Segundo a empresa, existem cartas de intenção envolvendo aproximadamente 2,7 mil aeronaves em diferentes mercados. Esses documentos indicam interesse comercial, mas não equivalem necessariamente a encomendas firmes.
O modelo em desenvolvimento utiliza propulsão elétrica e foi projetado principalmente para deslocamentos urbanos e regionais de curta distância. A criação da infraestrutura de energia é uma das etapas essenciais para tornar o serviço viável, pois os vertiportos precisarão suportar ciclos frequentes de recarga sem comprometer a estabilidade das redes elétricas.
As informações foram divulgadas pela Hitachi Energy e repercutidas pela Reuters.


