Começa neste sábado, 26 de julho, um dos eventos mais aguardados do calendário cultural e turístico de Campos do Jordão: a Festa da Cerejeira em Flor.
Atualmente na 54º edição, a Festa da Cerejeira celebra um importante legado cultural de nossa Cidade: o da colônia japonesa, que representa a imensa contribuição dos imigrantes asiáticos para o desenvolvimento local durante toda a nossa História.
Seu criador, o cidadão nipo-brasileiro Mario Utiyama, iniciou aqui a tradição da contemplação das floradas das cerejeiras plantadas em sua propriedade denominada “Cogumelândia”, em Vila Jaguaribe, em 1969. A incrível beleza do cenário proporcionado pelas árvores durante o inverno passou a atrair a atenção dos jordanenses e visitantes, que passaram a incluir o local durante seus passeios pela cidade.
Posteriormente, com a inauguração do Parque das Cerejeiras e o plantio de dezenas de árvores, a festa foi transferida para aquele local, tendo se transformado, com o passar do tempo, em um dos principais atrativos culturais e turísticos de nossa cidade.
Não se fala do desenvolvimento e do crescimento socioeconômico de Campos do Jordão sem ressaltar a importância da comunidade japonesa. Desde o início do século vinte, a partir da chegada do navio Kasatu Maru em 1908, a comunidade que se estabeleceu no alto da serra da Mantiqueira paulista implantou técnicas de plantio e cultivo do solo, organizou cooperativas e grupos de trabalho e transformou Campos do Jordão no maior produtor nacional de cenouras, segundo depoimento do então diretor da Casa da Lavoura, engenheiro Shisuto Murayama. Toda essa produção proporcionou o início das atividades do mercado municipal, estimulou o comércio, abriu ruas, avenidas e vilas, gerou mão-de-obra especializada e se fez presente na Cultura, no turismo, no comércio, na gastronomia, na política, no esporte e em todos os demais segmentos sociais que compuseram, e ainda compõem, a formação do povo jordanense.
Parte dessa contribuição está representada pela existência do monumento Torii, espécie de portal simbólico tradicional instalado em 2008, para celebrar o centenário do início da imigração, em pleno coração de vila Abernéssia, defronte ao atual Centro de Operações Integradas das forças de segurança pública da prefeitura (antiga Telefônica).
O reconhecimento da importância da festa da Cerejeira em Flor em Campos do Jordão teve seu auge no ano de 2018, quando, em seu cinquentenário, o evento foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial, pelo decreto municipal 7922.
Visitar a Festa da Cerejeira, portanto, além de permitir a todos ver de perto o lindíssimo acervo paisagístico natural do Parque das Cerejeiras, é conferir um pouco da milenar cultura japonesa e suas tradições, apreciar sua arte e sua gastronomia e também prestigiar a segunda festa popular de maior longevidade de nossa Cidade, só superada em tempo de existência pela Festa do Pinhão, de 1962.
A cultura é o mosaico de conhecimentos, tradições, saberes e fazeres que, transmitidos de geração para geração, acaba por se constituir na identidade cultural de um povo. Em Campos do Jordão, grande parte dessa imensa amálgama pode ser conferida em um dos locais mais bonitos de nossa estância.
Enquanto houver Campos do Jordão haverá de ser realizada a Festa da Cerejeira em Flor, digna representante da cultura de um povo laborioso e empreendedor – e que tenhamos, cada vez mais, o rosa distinto e delicado das flores das cerejeiras contrastando lindamente com o azul do céu de inverno e o verde definitivo das araucárias centenárias e majestosas da nossa incomparável Montanha Magnífica.

Benilson Toniolo, professor, escritor e historiador, foi Secretário Municipal de Valorização da Cultura de Campos do Jordão (2013-2024) e atua como consultor do Sebrae para efetivação de políticas públicas de Cultura em doze municípios brasileiros. Membro de diversas Academias de Letras e outras entidades culturais, escreve artigos sobre Política, História e Cultura.


