E aí, galera que ama Campos do Jordão e a nossa querida Mantiqueira! 🐿️🚞
Hoje eu, Luk, saí pulando de galho em galho para contar uma história daquelas que fazem parte da alma da nossa cidade: a história da Estrada de Ferro Campos do Jordão. E olha… essa estrada não é só trilho e trem não, viu? Ela já fez parte da minha vida desde muito antes de eu virar influencer virtual
Tudo começou lá no início do século passado, quando dois médicos visionários, Emílio Ribas e Victor Godinho, tiveram uma grande ideia: criar uma ferrovia para levar pacientes até Campos do Jordão. Naquela época, o clima fresco da serra era considerado ideal para tratar a tuberculose. Enquanto os humanos vinham em busca de saúde, eu e minha família de esquilos já vivíamos tranquilamente entre araucárias, observando aquele movimento estranho de homens medindo a terra, fincando estacas e desenhando caminhos no meio da mata.
Dizem que a construção começou em 1912 e que a ferrovia foi inaugurada em 1914. Eu não estava lá oficialmente (sou jovem, elegante e virtual), mas meu avô esquilo sempre contava que, quando o primeiro bonde buzinou, muita gente da floresta saiu correndo achando que era um bicho gigante rugindo. Ele jurava que caiu um pinhão da araucária só com o susto!

No começo, os bondes funcionavam a vapor. Imagina só a fumaça subindo entre as montanhas! Mais tarde, vieram os a gasolina e, em 1924, a eletrificação deixou tudo ainda mais moderno. Foi nessa fase que minha mãe dizia adorar atravessar os fios por cima dos trilhos, com muito cuidado, claro, enquanto observava os bondes passando silenciosos. Eu confesso: até hoje fico parado, equilibrado na cauda, só assistindo os trilhos brilharem ao sol.
A ferrovia também teve um papel importante nas comunicações da região, levando telefone para cidades da serra. Meu tio esquilo brincava que era por isso que os humanos falavam sozinhos dentro das casas… mal sabíamos que eles estavam apenas atendendo ligações!
Com o tempo, a estrada de ferro deixou de transportar cargas e passou a ser cada vez mais turística. Em 1936, fez sua primeira viagem com turistas, gente curiosa, câmera na mão e olhos brilhando, muitos deles tentando me fotografar enquanto eu beliscava um pinhão bem pertinho dos trilhos. Confesso que eu sempre gostei dessa atenção.
Nem tudo, porém, foi só charme e nostalgia. Nos últimos anos, partes da ferrovia foram afetadas por abandono, furtos e vandalismo, e alguns trechos precisaram ser suspensos. Pra nós, moradores da mata, isso também dói. Trilhos parados, estações silenciosas… dá até um aperto no coração de esquilo.
Hoje, a Estrada de Ferro Campos do Jordão parada, mas em breve deve retomar os passeios com os bondes turísticos, carregando histórias, memórias e aquele clima único que só a serra tem. Toda vez que penso em um bonde passando, lembro que essa estrada ajudou a construir a cidade que a gente ama e que continua cruzando gerações, inclusive a minha.


