Desde o ano de 2022, o Vale do Paraíba possui um dos raros centros de reunião de acervo documental de música do país: o CDM, Centro de Documentação Musical de São José dos Campos.
Criado pela musicista, professora e pesquisadora Raquel Aranha, a iniciativa é desenvolvida através da SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical) em parceria com a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e Cultura) que gerencia o Parque Vicentina Aranha e acolhe a sede do projeto.
Tudo começou com o contato da dra. Raquel Aranha com o acervo de José Antonio da Cunha (1932-2025), o Maestro Cunha, por volta de 2014 e 2015. Todo o material se encontrava nos aposentos do apartamento do maestro, distribuído tanto em armários quanto empilhados em estantes e caixas avulsas, sem ordem aparente.
A partir daí, com o acompanhamento do musicólogo Paulo Castagna, Raquel passou a se dedicar a reunir em uma única instituição o acervo musical da região disperso em casas de famílias.
Para isso, provocou reuniões e encontros com diversas entidades acadêmicas e pedagógicas, órgãos públicos e iniciativa privada, pesquisadores, musicistas, professores, historiadores e estudantes no sentido de buscar apoio e organizar a salvaguarda desse acervo, disperso, desvalorizado e em pleno desfazimento pela passagem do tempo e, em grande parte, pela falta de conhecimento dos familiares e parentes dos músicos proprietários dos materiais – partituras, discos, fitas, fotografias, vídeos e outros itens que compõem a história da música brasileira produzida na região.
Atualmente o CDM ocupa o Pavilhão Marina Crespi do Parque Vicentina Aranha, onde está armazenado e organizado todo o acervo garimpado até o momento, e onde os pesquisadores podem ter acesso a 20 arquivos pessoais, com documentação musical que vai de dupla caipira, choro, banda de sopros, piano, música de câmara, orquestra, violão, banda de baile e canto lírico. É uma verdadeira “viagem no tempo” pelo que de mais significativo produziram alguns dos principais músicos e compositores brasileiros.
O problema – como sempre, quando se trata de Cultura – reside na falta de recursos para manter o CDM funcionando e servindo à população. Sem apoio financeiro, seja público ou privado, a iniciativa sobrevive graças a doações de pessoas físicas e jurídicas, e pontualmente, quando do lançamento de editais da prefeitura de São José dos Campos, por meio da Fundação Cassiano Ricardo, da Secretaria de Estado da Cultura e do governo federal.
O Centro de Documentação Musical de São José dos Campos é uma iniciativa que precisa, e que merece, ser conhecida, reconhecida, apoiada, divulgada e fortalecida, seja pela importância e pelo ineditismo de sua missão, seja pelo valor incalculável de seu acervo, seja pela preservação da memória da cultura brasileira e, de maneira especial, de nossa região.
Por outro lado, o exemplo do CDM também é uma excelente oportunidade de pensarmos na responsabilidade de todos os municípios passarem a desenvolver um planejamento em que seja possível a preservação de seu acervo musical, a exemplo do que fez Raquel Aranha em São José dos Campos.
Em Campos do Jordão, terra do cinquentenário Festival Internacional de Inverno e que conta com um equipamento da estatura do Auditório Claudio Santoro, por exemplo, não seria má ideia iniciar uma discussão em torno de identificar, mesmo nas casas dos jordanenses, os discos, as partituras, os instrumentos, as fotografias, os vídeos e outros itens que compõem a nossa memória musical, amealhada durante tantos anos de Festival da Viola, Banda Sebastião Gomes Leitão, Fanfarra da SEA (hoje, SEA Drum Corps), antigos carnavais, grupos de samba das antigas noites jordanenses, os grupos musicais das igrejas, tantos e tantos festivais…
O trabalho do CDM de São José dos Campos é de um valor incalculável, e alerta a todos os municípios sobre a importância da guarda e da preservação da manifestação artística preferida dos brasileiros: a música.
Doutora Raquel Aranha, aceita conversar sobre o projeto do Centro de Memória Musical de Campos do Jordão?
Como ajudar o CDM:
campanha Catarse (assinatura mensal a partir de R$10,00)
https://www.catarse.me/cdmsaojose?ref=ctrse_explore_pgsearch
👉Visite a exposição “Mapa Musical SJC” do CDM no Parque Vicentina Aranha:
🖼️Mapa Musical SJC
📆 Todos os finais de semana
⏰ 9h às 13h/ 14h às 17h
📍Pavilhão Marina Crespi
👉 site: www.cdmsaojose.com
👉instagram: @cdmsaojose
Tel.: (12) 99147-6705 (dra. Raquel Aranha)
Imagem: Tiago Ferigoli

Benilson Toniolo, professor, escritor, historiador e gestor público, atua como consultor da AME Cultura (Agência Mineira de Entretenimento) em projetos do Sebrae para efetivação de políticas públicas de Cultura em diversos municípios brasileiros. Membro de várias Academias de Letras e outras entidades, escreve artigos sobre Política, História e Cultura.


