Visitar uma exposição de Tarsila do Amaral é muito mais do que admirar belas pinturas. É uma oportunidade de conhecer de perto a trajetória da artista que revolucionou as artes plásticas no Brasil e se tornou um dos maiores símbolos do modernismo. Até o dia 30 de setembro, moradores e turistas têm essa chance em Campos do Jordão, onde o Palácio Boa Vista recebe gratuitamente a exposição “Volta ao Clássico”.
Embora seja mundialmente conhecida por obras como Abaporu, Tarsila possui uma produção muito mais ampla e diversificada. A exposição em cartaz na Serra da Mantiqueira apresenta justamente um momento diferente de sua carreira, revelando como a artista dialogou com a tradição da pintura sem abandonar sua personalidade criativa.
A mulher que mudou a arte brasileira
Nascida em Capivari (SP), em 1886, Tarsila do Amaral estudou arte no Brasil e aperfeiçoou sua formação em Paris, onde entrou em contato com as principais vanguardas europeias. Ao retornar ao país, tornou-se uma das protagonistas do Movimento Modernista ao lado de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, formando o chamado “Grupo dos Cinco”.
Seu trabalho ajudou a construir uma identidade genuinamente brasileira para as artes, utilizando cores intensas, paisagens nacionais, trabalhadores, cenas do cotidiano e elementos da cultura popular. Obras como Abaporu, A Negra e Operários tornaram-se referências internacionais e seguem influenciando artistas até hoje.
O que torna essa exposição especial?
A mostra “Volta ao Clássico” apresenta uma fase menos conhecida, mas igualmente importante da carreira de Tarsila. São 16 obras produzidas principalmente entre as décadas de 1930 e 1940, período em que a artista revisitou fundamentos da pintura clássica e desenvolveu uma linguagem marcada pelo equilíbrio entre tradição e modernidade.
Entre os destaques estão pinturas como “Operários” (1933), considerada uma das mais importantes representações da industrialização brasileira, além de “Religião Brasileira” (1927), “A Calmaria” (1929), “O Retrato de Mário de Andrade” (1922) e “A Samaritana” (1911), obra de sua fase acadêmica.
A exposição também faz referência ao texto “Volta ao Clássico”, escrito pela própria artista em 1939, no qual ela reflete sobre a influência da arte clássica em sua produção e demonstra como tradição e inovação podem caminhar juntas.
Uma oportunidade rara na Serra da Mantiqueira
Ver obras originais de Tarsila do Amaral costuma ser uma experiência restrita aos grandes museus brasileiros. Por isso, a presença desse acervo em Campos do Jordão representa uma oportunidade rara tanto para apaixonados por arte quanto para visitantes que desejam enriquecer o roteiro turístico com uma experiência cultural de alto nível.
Instalado em meio aos jardins e à arquitetura do Palácio Boa Vista, o espaço proporciona um ambiente que convida o visitante a contemplar cada obra com calma, tornando o passeio ainda mais especial.
Serviço
Exposição: Volta ao Clássico – Tarsila do Amaral
Local: Palácio Boa Vista – Avenida Dr. Adhemar de Barros, 3001 – Alto da Boa Vista, Campos do Jordão.
Visitação: até 30 de setembro.
Horários: quartas, sextas, sábados e domingos, das 10h às 12h e das 14h às 17h; quintas-feiras, das 14h às 17h.
Entrada: gratuita, sem necessidade de agendamento.


