“Ser humano, ser máquina – Diálogos invisíveis”, o novo livro de José Cláudio Guimarães. Por: Benilson Toniolo

A julgar pelos anúncios de lançamentos de livros previstos para os próximos meses, podemos concluir que a literatura começa o ano de 2026 com tudo em Campos do Jordão.

Além de Campos do Jordão, Cidade e Poesia, coletânea de poemas escritos e publicados entre os anos de 1949 e 1972, com lançamento previsto para o mês de abril, Rimação Caipira, de Helena Therezinha Moysés da Silva, e As Cadernas, de Mauro Valle, prometem surpreender os leitores tanto pelo ineditismo de suas temáticas quanto pela demonstração do pleno vigor criativo de seus autores.

Uma das mais agradáveis surpresas do mercado editorial deste ano, entretanto, já está lançada: trata-se de Ser Humano, Ser Máquina – Diálogos Invisíveis, do publicitário, fotógrafo, editor e escritor José Cláudio Guimarães.

Publicado pela Editora Campos do Jordão, o livro — que conta com prefácio deste escriba — inaugura uma série específica de publicações dedicadas a um tema que inquieta a contemporaneidade: a relação do homem com a tecnologia e, de forma mais específica, com a Inteligência Artificial.

Partindo de sua própria relação com a IA, o autor narra suas descobertas por meio da transcrição dos diálogos estabelecidos com a máquina. Seguindo o exemplo de Carlos Drummond de Andrade em Procura da Poesia, o autor penetra — ainda que não “surdamente”, como recomendou o mestre de Itabira — no reino da Inteligência Artificial e de lá traz revelações fascinantes que, no livro, se desdobram.

E o que se revela é surpreendente: a máquina, por si só, não é nada sem o homem. É dele que deve partir a iniciativa, o diálogo, a proposta, a troca. Se aquilo que parte do homem é dúbio e hesitante, a máquina tende a redefinir o conceito que lhe foi transmitido por um indivíduo igualmente fragmentado. Se, ao contrário, o comando é revestido de planejamento e consistência, a inteligência — que pode até receber um nome próprio, conferindo-lhe identidade e personalidade — auxiliará na construção de um diálogo consistente.

Ou seja, a máquina não é nada sem o homem — e, tal qual a complexidade da condição humana, é exatamente aí que se encontram tanto a deflagração do confronto quanto o fascínio do entendimento e da descoberta.

Ao abrir-se ao desconhecido e com ele estabelecer um diálogo que conduz, de maneira surpreendente, ao autoconhecimento e ao conhecimento mútuo, o autor, no fundo, procura mostrar ao leitor que essa jornada começa e se sustenta na troca — essa mesma troca que, muitas vezes, nos recusamos a levar adiante por medo, comodidade, inércia ou intolerância.

Não se trata, portanto, de compreender os limites da máquina, mas de discutir a condição do homem.

O livro, como dito, inaugura uma série que já conta com seu segundo volume em elaboração, intitulado Empatia Reversa: os limites da programação. O próprio autor explica: “A obra parte de diálogos reais e experiências concretas, sem viés técnico ou futurista, para discutir limites, expectativas, erros e aprendizados dessa convivência cada vez mais presente no cotidiano”.

A edição impressa do primeiro volume já está disponível no Brasil, com exemplares que chegam nesta semana, e poderá ser encontrada em Campos do Jordão, em pontos locais a serem divulgados. Pela Amazon, o livro está disponível nos Estados Unidos e em outros 13 países, nas versões em português e em inglês, bastando a pesquisa pelo nome do autor. A edição em português atende residentes no exterior e leitores de língua portuguesa em geral. Considerando a relevância atual do tema, o autor optou também por preparar a versão em inglês e publicá-la fora do país, ampliando o alcance da obra, ainda que se trate de um livro conciso e de caráter reflexivo.

Para conhecer o projeto, basta acessar o site catarse.me e realizar a busca pelo nome do autor — ou entrar em contato pelo telefone (12) 98144-9998.

Tem muita coisa boa sendo produzida pelos autores jordanenses, para alegria de todos aqueles que mantêm vivos o hábito e a paixão da leitura.

 

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Benilson Toniolo, professor, escritor, historiador e gestor público, atua como consultor da AME Cultura (Agência Mineira de Entretenimento) em projetos do Sebrae para efetivação de políticas públicas de Cultura em diversos municípios brasileiros. Membro de várias Academias de Letras e outras entidades, escreve artigos sobre Política, História e Cultura.

 

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