Na última sessão da Câmara Municipal de Campos do Jordão, quatro vereadores repudiaram a declaração do secretário de Turismo, Fábio Izar, que durante audiência pública classificou o Airbnb como “um câncer” para a cidade. As manifestações reforçaram o repúdio à comparação e ressaltaram os benefícios do modelo de hospedagem compartilhada.
O vereador Ricardo Malaquias Júnior afirmou que a fala do secretário foi “absurda e infeliz” e destacou que o problema não está na atividade em si, mas na falta de fiscalização:
“Nós temos, em Campos do Jordão, de fato, problemas com relação à locação e algumas pessoas que transformaram essa locação temporária em uma verdadeira pousada informal. Mas isso é, antes, um problema de fiscalização da Prefeitura do que um problema da atividade como um todo. Nós temos uma grande quantidade de pessoas que usam essa locação, às vezes, de um quarto, de uma edícula ao fundo da casa, como complemento de renda. E essas pessoas não podem ser tratadas como um problema para a cidade.”
O vereador Éder Trovão também repudiou a fala de Izar e reforçou como o aluguel por temporada ajuda a movimentar a economia local:
“Foi uma fala muito infeliz, que nós não gostaríamos de ter ouvido, principalmente do nosso secretário de turismo. Muitas pessoas usam o Airbnb como complemento de renda, mas isso também gera renda para o município. Quem se hospeda geralmente não tem café da manhã incluso, então vai buscar uma padaria. Não tem almoço, então vai procurar um restaurante. Não tem janta, então vai pedir uma pizza, um lanche, ou vai em um restaurante. Isso fomenta o comércio diretamente. Quero dizer para você que tem o seu Airbnb na cidade que você não é um câncer. Ao contrário, você ajuda a fomentar o comércio e o turismo em nossa cidade.”
O vereador Bandeira classificou a fala do secretário como “no mínimo desastrosa” e cobrou resultados concretos da pasta:
“Para mim, ele perdeu a oportunidade de ficar calado, por tamanha besteira que falou aqui. E eu tenho visto que o secretário gosta muito de viajar, vai muito para São Paulo, para feiras, para congressos. Então, secretário, eu quero saber o que o senhor tem trazido de concreto para fomentar o turismo na nossa cidade. Vou fazer pedido de informação sobre isso.”
O vereador Elias Pena , lembrou das família que usam a locação por temporada como complementação de renda.
“Eu tenho parentes, eu tenho amigos que dependem dessa renda extra que o senhor falou que é um câncer. Infelizmente, nem todos têm a sua posição econômica. Então, acho que o senhor deveria usar essa tribuna para se retratar. Não é por mim, é pela sociedade.”
Já a vereadora Dra. Izabel Ribeiro de Camargo apresentou uma moção de repúdio por escrito. No documento, ela ressaltou que a prática da locação por temporada é tão antiga quanto o turismo em Campos do Jordão, e que a modernização trazida pelas plataformas digitais democratizou o acesso e garante renda essencial para muitas famílias:
“Essa renda é essencial para muitas famílias, garantindo remédios, alimentos e necessidades básicas, em uma cidade onde a cesta básica é a mais cara da região. Além disso, fortalece toda a cadeia do turismo, movimentando comércio, restaurantes, transporte, serviços e atrativos turísticos locais. O aluguel por temporada não é um problema, é uma solução que integra tradição, inovação e desenvolvimento econômico.”
As manifestações deixam claro que, para parte expressiva do Legislativo, a locação por temporada é uma aliada do turismo e não um inimigo, como declarou o secretário. Enquanto isso, o silêncio da Prefeitura diante das críticas amplia ainda mais a polêmica em torno do tema.


