Toda discussão tem, pelo menos, duas versões. Pessoas diferentes enxergam o mesmo fato por ângulos distintos, defendem suas convicções e, às vezes, deixam que o calor do momento fale mais alto que a razão. Isso faz parte da condição humana.
Nem toda discussão termina em acordo. Muitas terminam simplesmente quando cada um segue seu caminho… E tudo bem…
Seria o fim da história.
Mas, curiosamente, quase sempre aparece um terceiro personagem.
Ele não participou do debate, não ouviu tudo, desconhece as motivações de ambos. Ainda assim, sente-se autorizado a emitir um veredito. E faz isso recorrendo a frases de efeito, dessas que parecem profundas à primeira leitura, mas são bem comuns nos para-choques de caminhões.
Uma delas diz, em essência, que quando pessoas inteligentes debatem ambas aprendem, mas quando alguém discute com um tolo, conquista apenas um inimigo.
É uma frase sedutora. Especialmente quando é dirigida a apenas um dos envolvidos.
Afinal, quem recebe esse aparente elogio dificilmente percebe que não está recebendo compreensão, mas um afago na vaidade. O terceiro personagem escolhe um lado, oferece um rótulo conveniente e, por alguns instantes, conquista a simpatia de quem deseja ouvir exatamente aquilo.
É uma estratégia antiga: alimentar o ego para conquistar espaço.
O curioso é que quem realmente valoriza o diálogo costuma fazer perguntas antes de distribuir sentenças. Procura entender antes de classificar. Sabe que conflitos raramente cabem em frases prontas.
Já quem transforma a discussão dos outros em oportunidade para parecer mais sábio revela uma necessidade silenciosa de reconhecimento. Não busca construir entendimento; busca aplausos.
Os grandes conflitos da humanidade nunca começaram apenas pelas diferenças. Eles cresceram porque alguém decidiu que compreender era menos importante do que rotular. É sempre mais fácil reduzir uma pessoa a um adjetivo do que enfrentar a complexidade dos fatos.
No fim, talvez a discussão original nem fosse o fato mais interessante.
Mais revelador foi o comportamento daquele que chegou depois, colocou-se acima dos demais e acreditou possuir autoridade para definir quem era inteligente e quem era imbecil.
Porque quem realmente é inteligente sabe que toda história merece ser compreendida antes de ser julgada.
E quem tem verdadeira sabedoria não sente necessidade de convencer ninguém de que é mais inteligente do que os outros.
Talvez por isso a pergunta do título continue sendo a mais importante.
Quem é, afinal, o imbecil da história?
A resposta, como quase tudo na vida, diz menos sobre quem foi julgado e muito mais sobre quem se apressou em julgar.
Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão


